domingo, 20 de agosto de 2023

Hannibal Lecter, de Serial Killer a canibal sedutor

 



    Assistir ao filme norte americano “O Silêncio dos Inocentes” consistiu num importante marco em meu crescente interesse sobre o tema “Assassinos em série”.  Com o passar do tempo a curiosidade foi conduzindo a mais pesquisas, leituras e informações e, não à toa,  desde o início de minha graduação em psicologia eu já havia firmado convicção acerca do tema do meu trabalho de conclusão: Serial Killer, Assassino em Série ou Psicopatia. Esse filme me trouxe muitas indagações e questionamentos sobre a natureza humana, tais como: O que poderia motivar seria um indivíduo a cometer crimes bárbaros contra sua própria espécie? Seria possível alguém ter um nível de crueldade tão elevado assim? Até que ponto ou diante de quais circunstâncias o comportamento cruel pode ser considerado patológico e/ou passível de mudança ? Mal sabia eu que isso só seria o início de uma longa pesquisa em minha jornada acadêmica. Mas, retornando ao filme “The silence of the lambs”, pode-se dizer que é realmente um filme muito especial para os fãs da temática psicopatia, é claro, pois traz em seus 118 minutos um enredo repleto de enigmas e referências a histórias reais de assassinos em série.



    Em princípio é um filme com enredo básico, no qual assassinatos acontecem e a polícia tenta capturar um assassino que está matando mulheres e retirando a pele de parte dos corpos das mesmas, fato que deixa os investigadores intrigados. Esse filme é baseado no livro de Thomas Harris publicado em 1988 e senhoras e senhores, em minha opinião, é sim um ótimo filme! Essa junção de terror, suspense e drama, sempre traz muitas fantasias assustadoras para quem assiste, ainda mais aos que sabem que o filme tem conexões com histórias reais, fato que deixa esses telespectadores ainda mais intrigados. Um jogo psicológico se faz presente desde o início até o fim, sem contar as questões relacionadas ao tipo de personalidade de quem comete os crimes, pois se matar alguém já é um ato complicado, se torna mais complicado ainda quando se fazem presentes requintes de crueldade. Um ponto que se destaca no filme é a atuação do ator Anthony Hopkins, que apesar de aparecer em cena por menos de vinte minutos durante todo filme, parece estar  presente em todas as cenas, devido à intensidade da trama e seus aspectos legais e  psicológicos, que seguram o espectador o tempo inteiro atento à “pelicula”.



    Resumidamente, Anthony Hopkins (Dr. Hannibal Lecter) interpreta um psiquiatra que está preso em uma prisão de segurança máxima por ter cometido crimes bárbaros e totalmente impensáveis para qualquer ser humano. Ele está preso por ser um assassino canibal que mata e come suas vítimas, além de servir suas carnes em jantares refinados, oferecidos à alta classe e pessoas com as quais mantinha contato. Nesse contexto bem tranquilo (kkk) uma estagiária que ainda não concluiu o curso para se tornar uma detetive é designada para falar com o canibal e tentar fazer com que ele ajude a polícia local a capturar um assassino que está cometendo crimes que estão deixando a sociedade em pânico. A competente estagiária em questão chama-se Clarice Starling e é interpretada por Jodie Foster, que também atua de forma sensacional neste filme. No desenrolar da trama o plano acaba encontrando adversidades maiores que as esperadas, pois como todo “bom” psicopata, o canibal Hannibal Lecter também manipulava suas vítimas, e não foi diferente com Clarice, a quem ele resolve fazer uma série de exigências pessoais para seguir colaborando na resolução do caso.



    Transpondo a arte para a ciência, ao relacionarmos o filme com a teoria existente acerca do assunto, é possível identificarmos Dr. Hannibal Lecter como portador de Transtorno Antissocial, mais conhecido socialmente como Psicopatia. Trata-se de um comportamento que tem por base transgredir as regras sociais e o indivíduo que apresenta esse tipo de transtorno não tem empatia por ninguém, e quando falo ninguém, é ninguém mesmo. É um tipo de conduta que não é passível de mudança, pois não há cura e nem controle, sendo o único manejo possível o isolamento social deste indivíduo. Sempre que refiro acerca do tema, lembro uma espetacular professora que tive na faculdade e que estudava esse tipo de comportamento. Ela me ensinou muito sobre o assunto e repetia  sempre que a única forma de se controlar os psicopatas é ficando longe deles. Porém, infelizmente esse tipo de indivíduo caminha por aí sem diagnóstico ou mesmo identificação dizendo “SOU UM PERIGO”. O psicopata procura sempre três condições básicas para ele: poder, status e prazer. Além disso, é possível também afirmar, com base na literatura e estudo científico desenvolvido, que a mente humana não tem fronteiras, que um psicopata já nasce com esse comportamento e que o transtorno em questão não escolhe raça, altura, peso, gênero ou qualquer outro tipo de característica humana.

   No filme podemos verificar também o nível de crueldade com que esse tipo de indivíduo é capaz de agir através das ações e falas do Dr. Hannibal Lecter, um canibal frio e calculista. Uma curiosidade do enredo que intriga os mais estudiosos do tema é a exata motivação que leva o canibal a oferecer ajuda para capturar um outro psicopata. Mas registre-se que o fato retratado nas telas não passa de mais uma referência concreta aos menos desentendidos, pois na vida real isso já aconteceu quando o famoso serial killer Ted Bundy auxiliou o FBI a desvendar o caso do “Assassino de Green River”.



 O silêncio dos inocentes é um filme que recebeu muitos prêmios importantes, dentre eles: melhor filme, melhor diretor (Demme), melhor ator (Hopkins), melhor atriz (Foster) e melhor roteiro adaptado. Em resumo, uma ótima produção para se assistir. The Silence of the Lambs não se trata de mais um daqueles filmes carregados de clichês e cenas de suspense chatas e óbvias, acerca das quais já sabemos o desfecho e sequência, ele é direto, como uma patrola desgovernada descendo uma ladeira. E o melhor de tudo é que, após esse filme, se sucedeu uma sequência de três outros filmes relacionados à mesma trama, agregando novos personagens, mas sempre mantendo o canibal Dr. Hannibal Lecter como centro ou origem das histórias. Portanto, para quem ainda não assistiu “O silêncio dos inocentes” a sugestão é para que não perca tempo e vá logo até uma locadora alugar este belo filme de terror (ou procure em algum canal pago de televisão para assistir). 

Marcelo Franco

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Banda Sepultura: Relatos de um admirador

  


   


Desde muito cedo sempre tive a inclinação musical para o som pesado, para não dizer  barulhento. Os trabalhos, registrados tanto em discos de vinil quanto em fitas cassete, de bandas como Metallica, Slayer, Ratos de Porão, Replicantes, Dorsal Atlântica, Korzus, Vulcano, D.R.I., Dead Kennedys, The Exploited e, claro, Sepultura, eram visitas mais que assíduas em meu aparelho de som. Pelo que lembro, a partir dos meus 12 anos eu conheci e passei a acompanhar “bem de perto” os estilos Hard Core e Metal, já escutando música como uma forma de lazer. Logo após, enquanto a maioria das pessoas conheceu e passou a difundir ainda mais o “pagode” e “axé”, estilos que fizeram muito sucesso na época, eu seguia buscando sempre as músicas com guitarras distorcidas.

Hoje escolhi registrar e compartilhar um pouco sobre uma banda que acompanho desde o início da carreira, além de ter quatro LP’s do grupo, tenho alguns CD’s também. “Ladies and gentlemen”, me refiro ao Sepultura, maior grupo de metal brasileiro, que com uma carreira internacional consagrada conseguiu quebrar as barreiras do preconceito social contra o som pesado que existe em terras brasilis. O Sepultura é uma banda de Heavy Metal formada pelos irmãos Max (guitarra e vocais) e Igor Cavalera (bateria) em Belo Horizonte. Além dos irmãos, a banda iniciou com Paulo Jr. (Baixo) e Wagner Lamounier (segunda guitarra).  A banda surgiu com uma pegada bem pesada e partiu realizando ensaios e shows em início de carreira como qualquer outra banda underground. Mas como em toda banda de rock, os desentendimentos sempre acontecem e a formação sofre alterações. No caso do Sepultura, o primeiro a deixar o grupo foi o guitarrista Wagner, que forma outra banda importante no cenário nacional da época, o “Sarcófago”. Em seu lugar entrou Jairo Guedes e a banda dá uma certa “embalada”, iniciando uma carreira de sucesso. O Sepultura usa de todos os meios de mídia da época para divulgar o som da banda, indo de fanzines a rádios locais. Mas um show em especial deu início ao sucesso dos meninos metaleiros: em 1985 acontece um festival de metal em BH e o dono da gravadora Cogumelo Records, que viu o Sepultura ao vivo e gostou da sonoridade dos meninos, acaba contratando o grupo.



No final deste mesmo ano sai o EP “Bestial Devastation” (infelizmente não adquiri este álbum na época), um álbum que foi gravado em apenas dois dias e que é um trabalho dividido com outra banda de metal, a “Overdose”. Infelizmente foi um disco com qualidade baixa, mas já foi o suficiente para  chamar a atenção do público do metal. Em 1986,  lançaram o segundo LP, o clássico “Morbid Vision” (esse sim, esse eu TEEEENHO). Considero este disco uma obra que retrata com aprimoramento o som da banda, bem pesado e já trazendo o primeiro hit, “Troops of Doom” - uma música que é tocada até hoje nos shows dos caras. Mas, como é comum, a banda tem mais uma baixa, e mais uma vez o Sepultura perde o guitarrista solo, Jairo Guedes, que deixou a banda em 1987. Em seu lugar entrou Andreas Kisser, e neste mesmo ano eles gravaram “Schizophrenia” (também tenho esse baita LP), o verdadeiro marco divisório na carreira da banda. Este LP é fruto do amadurecimento musical dos garotos do Brasil. O disco foi muito requisitado na América Latina e Europa, onde recebeu elogios da crítica gringa. Em meio a toda empolgação e o crescimento do sucesso internacional da banda, uma situação inusitada aconteceu e ajudou o Sepultura de certa forma: uma gravadora européia pirateou o álbum “Schizophrenia”, vendeu mais de 30 mil cópias e, mesmo sem receber um “tostão” pelas vendas, a banda ganhou uma forte divulgação, que despertou a atenção da conhecida gravadora “Roadrunner Records”, que resolveu contratá-los por um período de sete anos e lança o LP internacionalmente.



A banda finalmente recebeu a chance de mostrar o seu trabalho lá fora e saiu em turnê junto com a banda (também de metal) “Sodom”, mas essa turnê foi nada tranquila, pois, segundo os integrantes do Sepultura, os caras da banda Sodom eram chatos pra C@r@lh0!!!! A partir daí o reconhecimento do grupo só aumentou e a banda cresceu musicalmente, tanto no cenário nacional como internacional.



Bem, até agora falei mais da carreira da banda e não coloquei minhas experiências com o Sepultura, mas como escrevi lá no início, sou um apaixonado por música pesada e o Sepultura faz parte de minhas paixões musicais. É engraçado, pois assim como aconteceu comigo em relação a outras bandas de som pesado, com o Sepultura se repetiu a cena: num belo final da tarde, após sair da escola, fui dar uma olhada nas novidades musicais da loja de discos “Prisma discos” (já é a terceira vez que falo da loja no meu blog, vou pedir patrocínio kkk). Na parte dos discos de metal encontrei aquela capa “tinhosa” com o nome SEPULTURA, uma capa que eu sabia que se comprasse o LP ia causar problema em casa. E não à toa, pois na capa há o desenho de três pessoas crucificadas e um demônio olhando com cara de paisagem, algo incomum para a  época (fim dos anos 80). Mas pensei: “vou comprar e entrar em casa de costas para ninguém notar”, o plano estava perfeito, daria tudo certo. Mas esqueci que naquele dia meu pai ia me buscar na escola. Comprei o álbum e voltei para escola, pois havia combinado com meu pai de me buscar lá em frente, ele chegou e entrei no carro, jogando a mochila no banco de trás com todo cuidado, imaginando que meu querido pai não veria a maldita capa (aliás, sempre pensei: por que os caras fazem um som tão legal e precisam fazer essa capas com demônios, cruzes e esqueletos? PQP). Infelizmente deu tudo errado, pois meu pai viu e perguntou, “que disco é esse?” E respondi que era de um amigo, mas ele pediu para ver. Não preciso dizer que meu pai “adorou” a capa e até disse, sic “nossa meu filho, que capa supimpa!!!” Me lembro que foi bem isso que ele disse hahahahaha. Mas seguindo… Sempre fui fã do Sepultura, comprei quatro álbuns em sequência na época, apenas deixei de comprar o EP “Bestial Devastation” por questões da época, mas sempre gastei muito em discos e livros. Lembro, hoje arrependido, que decidi não comprar este álbum para comprar outros LP’s (que acabei nem comprando kkkk). Hoje o álbum original “Bestial Devastation” é uma raridade, sendo encontrado com alguma facilidade apenas na formatação atual (regravação dos irmãos Cavalera), gravada em discos de vinil de 180 gramas e com o valor bem “salgado”.

Consegui curtir dois shows do Sepultura, com as formações que mais gosto (não que hoje eu não goste da formação atual, mas a formação com os irmãos Cavalera é muito mais “afudê”). O primeiro show do Sepultura que tive o prazer de assistir foi a muitos anos atrás (não sou um Matusalém, mas já faz um tempinho kkk), no Ginásio Geraldo Santana e não lembro exatamente o ano. Recordo que  foi um show promovido pela Kátia Suman, que na época era locutora da extinta rádio Ipanema FM. Já o segundo espetáculo que assisti foi em 09/11/1994, um baita show que reuniu nada mais nada menos que as bandas Raimundos, Sepultura e Ramones no Ginásio Gigantinho em Porto Alegre, por sinal neste show eu fui acompanhado de minha esposa Patrícia, namorada na época. Simplesmente foi uma pedrada atrás da outra, onde cada banda tocou em torno de uma hora e pouco, momento especial para um fã de música pesada. Apesar de não termos certeza à época, tínhamos a impressão de que um show assim nunca mais iria acontecer, dada a dificuldade de reunir as bandas, seja por brigas ou pelo estilo de vida de alguns integrantes, que logo já não estavam mais entre nós, confirmando a impressão que tivemos no épico momento.



Bem, retornando à carreira do Sepultura, ou falando sobre a fase que mais gosto, ainda tem dois álbuns que não comentei,  “Beneath the Remains” e “Arise”. O primeiro marcou o auge da banda, o momento em que eles realmente estouraram. Lembro que só se escutava falar no Sepultura e acabou acontecendo algo que particularmente não gosto: a banda virou “moda” e se via muitas pessoas que acompanhavam apenas o que estava em evidência dizerem que gostavam de algo, todavia sem nem saber a origem e história do grupo. Se escutava, por exemplo, que o Sepultura era uma banda gringa, apenas porque as  letras de suas músicas são em inglês. Simples assim, mas isso é outro assunto, me lembra Friedrich Nietzsche, que fala sobre o “gado”.

Beneath the Remains foi um LP muito bom, você escuta da primeira música até a última sem passar nenhuma faixa para frente (no meu caso levantar o braço do toca discos e passar para próxima faixa). É um disco pesado e muito bem trabalhado musicalmente, produzido por um selo gringo, que acaba tornando mais fácil para os músicos fazerem um álbum de ótima qualidade. Tempos atrás escutei a banda dizendo que o álbum ficou com o som do contra-baixo muito baixo e queriam ajustar a gravação, confesso que não sei como ficou essa questão, mas para o Marcelo Fã, o álbum ficou perfeito. Em seguida veio o disco “Arise”, que foi lançado em duas versões, uma edição limitada para fãs e outra não menos especial com uma música a mais, no meu caso tenho a versão especial, que tem a capa diferente trazendo a frase “gravação limitada para o Rock in Rio” (festival que foi um marco na música, principalmente para o Brasil). Infelizmente, como já disse, eu sempre tinha uma lista de LP's enorme para comprar, e acabei por não comprar a outra edição, que por sinal, vinha com a bela cover de Orgasmatron, música da banda Motörhead.



Ladies e Gentlemen, notei que nunca havia escrito um texto tão extenso, mas é sobre uma banda que sou apaixonado, o que acaba tornando a produção prazerosa por fazer lembrar os momentos especiais que o Sepultura me proporcionou. Seguindo na carreira da banda, ainda foram gravados os álbuns “Chaos A. D.”  (1993) e “Roots”  (1996), com a principal formação da banda (que trazia os vocais do Max Cavalera), que ao meu ver tem outra sonoridade e traz um diferencial para o Sepultura. A banda teve muitas tretas, mas isso é algo que deve ser resolvido nas internas da banda, já diria um sábio: “Se você quer manter um ídolo em seu devido lugar, não o conheça pessoalmente” e acrescento: no máximo peça um autógrafo ou uma foto com ele. E viva o som pesado para quem gosta, pois se você é de outra linha musical, está no lugar errado kkkkk.

Marcelo Franco

OBS: LP's de arquivo pessoal.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Mito, maldição, coincidência, conspiração ou destino? Clube dos 27.


Robert Johnson foi um cantor, compositor e guitarrista do blues, um nome consagrado da música norte-americana que morreu aos 27 anos de idade. Podemos pensar que as pessoas morrem, e para isto acontecer basta estar vivo. Certamente é a condição necessária, mas o que a morte, mesmo quando ocorre de forma isolada, pode ter em comum? O ponto em comum identificado nesta breve abordagem é a idade, 27, um número que traz consigo uma série de mistérios e desconfianças, principalmente no meio da arte e da música. As especulações são muitas em torno desse mistério, nada tendo sido comprovado até então, apenas a certeza de que foram vários os artistas, principalmente no meio da música, que vieram a falecer com esta idade. 

Dentre alguns nomes que fazem parte desta lista, podemos mencionar nada mais nada menos que: Brian Jones (Rolling Stones), Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (The Doors), Alan Wilson (Canned Heat). Aqui temos um ponto interessante, Alan faleceu apenas duas semanas antes de Hendrix e quatro semanas antes de Janis Joplin, ambos artistas que também vieram a morrer com 27 anos. Kurt Cobain (Nirvana), Amy Winehouse, Jacob Miller (Inner Circle), Pete de Freitas (Echo the Bunnymen - amo essa banda), Kristen Marie Pfaff (Baixista do Hole), Ron “Pigpen” McKernan (Grateful Dead), David Alexander (The Stooges - não sei como o Iggy ainda está vivo!), Chris Bell (Big Star), Leslie Harvey (Stone the Crows), Jean Michel Basquiat (Neo Expressionista-grafiteiro de mão cheia), entre outros.

Podemos nos questionar se realmente o Diabo é o pai do Rock, e estaria ele colocando uma data limite para algumas celebridades? Muitos colocam esta situação até como conspiração, mas o que realmente chama a atenção aqui é o  número 27. Alguns destes artistas tiveram suas mortes por decorrência do uso abusivo de drogas, mas outros não, pois dentre os motivos e causas de certas mortes teremos: acidentes automobilísticos, suicídios, afogamentos, assassinatos, acidentes aéreos, gastrite, diabetes, falência renal, câncer, dengue hemorrágica, choque elétrico, pneumonia, pressão alta, asfixia pelo próprio vômito (Bahhh), ferimentos decorrentes da queda de um cavalo e até causas desconhecidas. Podemos notar que as causas das mortes são diversas, mas o ponto aqui em questão segue sendo o número 27, que segundo muitos envolve um contexto místico. Seria uma maldição? Mito? Ou apenas uma terrível coincidência que ronda a vida de músicos e artistas, devido a qual foi inventado até o termo “Clube dos 27”,  criado devido ao alto número de artistas que vieram a morrer nesta idade.

Com muitas interrogações que rondam esse clube, um artista em especial chama muito a atenção, Robert Johnson. Reza a lenda que Johnson teria feito um pacto com o Diabo para se tornar um grande guitarrista. Seria alguém capaz de fazer um pacto com Diabo apenas para se tornar um habilidoso guitarrista? Aceitando ter uma vida curta e após ter que enfrentar o suposto pai do Rock pela eternidade no inferno? Sabemos que o ser humano é capaz de muitas coisas insensatas, então por que não realizaria um ato totalmente insano, talvez até entendendo ser uma atitude “Rock'n’Roll”? Pois é, jamais saberemos a real história por trás desses mistérios. 

Mas o que mais intriga a todos são as incógnitas e mistérios que envolvem esse mito. Outra situação intrigante é com relação ao isqueiro branco. Trata-se da constatação de que os músicos Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Janis Joplin e Jim Morrison se encontravam na posse de um isqueiro branco quando foram encontrados já sem vida. Se isso quer dizer alguma coisa com relação às suas mortes não se sabe, mas que esse fato é bastante especulado não se pode negar (seria um isqueiro da marca “Bic”?). Se eu fosse músico e fumante, não compraria isqueiros de cor branca, usaria fósforos kkkkk (bela maneira de tentar enganar a morte kkkkk).

Existem bem mais artistas que morreram com a idade de 27 anos do que se pode lembrar rapidamente, seria possível este número carregar um mau agouro? Uma verdadeira névoa sombria e turva paira sobre os questionamentos, impedindo que se obtenha respostas e muito menos os porquês que levaram a vida de muitos artistas famosos a serem ceifadas aos 27 anos. Bem, não querendo ser pessimista, mas se você é músico e tem menos de 27 anos, deixaria um comentário neste post, antes que alguma maldição aconteça com você kkkkk.

Marcelo Franco

segunda-feira, 12 de junho de 2023

O amar não é perfeito, mas o começo de um romance imperfeito para a vida toda.



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         Desde as primeiras horas da manhã do dia 11/06 eu já estava incomodado, pois queria escrever um post novo para o blog, e não me vinha nada à cabeça, então lembrei que no próximo dia seria dia dos namorados, e alguém vai dizer: como esquecer do dia dos namorados? Pois é, esqueci!!!! Mas escrever sobre o amor é algo desconfortável para mim. Alguns vão estranhar, pois já escrevi sobre esse tema em outros momentos, mas eram outros momentos, bem diferente do que estou vivendo agora. Mas, vamos lá, resolvi escrever sobre a data em questão, deixo a vontade para o leitor chamar a temática do texto como achar melhor, “Dia dos namorados”, “Sobre amor”, “Relacionamentos”, "Valentine 's days” (mas neste caso a data seria outra, mas deixa pra lá), Sid e Nancy,  etc.

Pensando em amor, logo me vem à cabeça o psicanalista francês Jacques-Marie Émile Lacan, que coloca que “amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer”. O que Lacan quis dizer nesta frase? Sei que aqui já começo a repensar se o texto foi uma boa ideia kkkk, mas gosto de usar as palavras para provocar essas reações. Mas voltando ao pensamento de Lacan, ele apenas nos lembra que não nos tornamos felizes no amor simplesmente por estarmos amando, pois o amor é uma ilusão, o que se enxerga no outro são apenas formas de satisfazer necessidades e carências de maneira mútua. Aqui nada mais que uma troca, onde dá o que o outro não tem e o que você não tem o outro lhe proporciona. Não quero entrar numa discussão psicanalítica, mas como apreciador dos escritos de Lacan, não poderia deixar de trazer esse pensamento, agora acredite ou não, creio que o amor é isso. 

Amar alguém nunca será fácil, se relacionar com outra pessoa de maneira amorosa sempre será um túnel escuro, pois não sabemos o que encontraremos lá, pois quando se está enamorado ou acometido pela paixão ficamos bobos e enxergamos as situações de maneira distorcida, e todo aquele no qual estamos investindo emocionalmente é perfeito, é lindo, é prazeroso de se contemplar, entre outros adjetivos que me fogem à memória neste momento. Gostar de alguém, quer queiram ou não, tende a ser isso. Essencialmente no início, não enxergamos ou minimizamos os defeitos, pois as pessoas ficam hipnotizadas, tais quais “zumbis do amor” (tudo é lindo, mas tudo mesmo, até o que não é).



Agora, pensando na data chamada dia dos namorados, sou muito crítico de forma negativa. Questiono os exageros que a mídia faz com uma data que no Brasil foi criada por um presidente de uma empresa publicitária, visando apenas alavancar as vendas no mês de junho (não vou citar o nome do mesmo, mas procure no google e vai encontrar quem é). Com isso, este publicitário criou o slogan “não é só com beijos que se prova o amor”. E assim nasceu a data dos dia dos namorados em terras brasilis, "romântico”, não? Pois é, mas desde então as pessoas em geral atribuem  uma enorme importância à data, gastando valores altos para demonstrar o quanto gostam de alguém, sem contar a necessidade de demonstrar para a sociedade o quanto ela é capaz de gastar para provar o seu amor. Hoje infelizmente, o amor é medido não por sentimentos e sim por valores concretos. Ok, entendo que neste ponto do texto muitos vão me deletar, cancelar ou até mandar tocar fogo como na era das bruxas da idade média. Entendo que a sociedade atual está encruada pela hipocrisia e não consegue dar o real valor sobre o gostar de alguém. Esquecemos de demonstrar o bom sentimento por alguém em qualquer dia do ano, sem que seja necessária uma data específica para que possamos de fato valorar o quanto gostamos de uma pessoa. Gestos como um abraço, um beijo, um telefonema no meio de um dia qualquer do ano (hoje um wats), uma rosa comprada aleatoriamente de um ambulante em um semáforo ou um simples lembrar que estar ao seu lado todos os dias é ótimo (em qualquer horário do dia), e tantas outras atitudes simples que são de enorme importância em uma relação. 

Esqueça o dia dos namorados, lembre de quem você gosta e demonstre todos os dias (ou quase todos os dias) do ano, pois não será apenas em uma data que você vai demonstrar o valor do amor. E não perca tempo com presentes caros, envie um whats agora para quem você gosta, e diga o quanto ela ou ele é importante para você, garanto que se você realizar este ato todos os dias, a data do dia dos namorados será apenas uma data e o valor do relacionamento será outro. Vale o registro de que o amor não tem fórmula ou medida e de que os brutos também amam, sendo tão capazes da real entrega ao amor quanto os mais reconhecidamente românticos, afinal como já dizia Oscar Wilde “Amar é ultrapassarmo-nos” !

Marcelo Franco

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Notas de um velho bairro cotidiano - Bom Fim dos 80/ 90

 


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Bom Fim foi um dos bairros mais importantes de Porto Alegre, e se não foi o mais importante foi o mais emblemático, com certeza. Falar do bairro Bom Fim é retornar ao passado, relembrar os tempos áureos dos anos 80/90, onde se tinha mais sentido nas atitudes e honestidade na cultura social. Onde a rebeldia se mostrava mais consciente ou ao menos tentava. 

Os anos 80 foram um verdadeiro divisor de águas, uma época em que a cultura era muito valorizada, onde livros e discos eram cultuados e recebiam o seu devido valor. Mas voltando ao bairro Bom Fim, podemos relacionar a rua Oswaldo Aranha, onde as noites de boemia aos sábados eram um verdadeiro santuário de muitas tribos: punks, hippies, metaleiros (headbangers), góticos (Darks), skaters, new waves, músicos, galera do teatro e do cinema, poetas, filósofos, fotógrafos, simpatizantes, curiosos e todo tipo de indivíduo que tinha um gosto singular se juntava para descontrair e trocar ideias.

Chegar na Oswaldo Aranha e ir aos botecos da época constituía um momento certeiro para se deparar com algum músico das bandas gaúchas. Wander Wildner, Edu K, Nei Lisboa, entre outros, eram figuras carimbadas da conhecida Oswaldo Aranha. Inúmeras peculiaridades se faziam presentes neste reduto, mas uma que chamava muito a atenção era a situação de se deparar com uma Igreja de um lado, um posto da polícia do outro e logo mais adiante um quartel general do exército, e os “malucos” tomando conta das noites porto alegrenses (isso sim era realmente algo surreal), e ainda podemos dizer que todos vivendo em harmonia (ou tentando ao menos kkk).



A peculiaridade era tanta que chegava a se ver em um bar chamado “Bar João”, potes de vidro com cachaça dentro, que ficavam expostos em uma parede, contendo cobras e escorpiões dentro, passando por sabores que iam do funcho a uma cachaça de cor amarelada (confesso que nunca vi alguém pedir um desses para tomar). Seguindo neste quesito temos os nomes de bares, que pelo meu bairrismo, duvido existir um lugar com nomes tão únicos e surreais, seguem os nomes: Edgar Alan Porre, Bar João, Lancheria do Parque, Escaler, Bar Fim, Bar Ocidente (este resiste até hoje), Lancheria do Lola,  Boccaccio, Fedor, Luar Luar, foram bares que  marcaram o Bom Fim da época de 80.



Essa imensa lembrança em um curto relato trago neste texto, é apenas uma ponta do iceberg do que realmente era ou mesmo representava o movimento no bairro Bom Fim. Fosse eu relatar todas as fases da época 80/90, seria necessário escrever um livro de quinhentas páginas. Seria necessário contar sobre o que nem mencionei, como o bar conhecido como ‘Pé sujo” na esquina chamada de “Esquina maldita”, um combo acompanhado de representações que refletiam a ditadura e repressão da época, o medo de possíveis revoluções que assombravam os supostos ditadores e fascistas, e nos quais estudantes e movimentos culturais se aglomeravam para discutir e debater sobre movimentos beatniks e seus representantes. 

 Os protestos eram como o nascer do sol, aconteciam todos os dias e de todas as formas, onde as resistências eram oceânicas, e fanzines e jornais eram uma das formas de se levar as ideias para se confrontar a ditadura e o fascismo que eram fortemente presentes na época. Nisso me vem à lembrança o tal “toque de recolher” que determinava que à meia noite todos deveriam se recolher e ir para suas casas, mas isso não foi empecilho para o “movimento” que ia contra tudo e contra todos achar uma maneira de quebrar essa regra. E os confrontos que eram inevitáveis, não aceitavam as represálias, e muitas vezes acabavam em agressões e prisões.

O Bom fim era isso e muito mais, e tentar descrever esse movimento é algo muito difícil, só quem viveu sabe o que foi esse momento, e descrever isso é quase impossível. Só posso tentar dizer, em uma gíria gaúcha, que o Bom Fim foi “Tri massa” ou, ainda, que segue sendo atualmente, ao menos para os que viveram esta época.

Marcelo Franco

Fotos retiradas da internet
*1 Bar João
*2 Bar Escaler
*3 Lancheria do Parque

domingo, 7 de maio de 2023

RHCP: do Punk-Funk ao obscuro mundo das drogas

 


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Red Hot Chilli Peppers é uma banda californiana que faz uma mistura basicamente de rock com funk, eventualmente acrescida de outras esquisitices que deram muito certo. Desde o primeiro disco eles deixam claro qual a intenção musical do grupo e o som marcante do contra-baixo da banda se torna uma marca característica das suas composições. Todavia, desde os primórdios da sua trajetória musical o RHCP se torna também conhecido pelos problemas relacionados ao envolvimento de alguns de seus integrantes com drogas pesadas. Este aspecto acaba por dificultar a consolidação musical dos “Peppers”, pois de certa maneira as drogas acabam acarretando a maior parte das turbulências havidas no relacionamento pessoal entre os músicos, dificultando - e até inviabilizando  - a convivência da banda em diversos momentos ao longo da carreira.

Os Peppers lançam o primeiro álbum em 1984, intitulado “Red Hot Chili Peppers”, trazendo uma sonoridade bem mais inclinada para o funk, mas não deixando de ser uma banda de rock. O curso musical da banda segue, mas consequências do uso exacerbado de drogas acabam por acarretar atraso no crescimento dos caras e a formação inicial da banda já começa a sofrer alterações em seus integrantes por desentendimentos havidos, ora em decorrência de incompatibilidades musicais ora pelo então já conhecido envolvimento de músicos  com drogas pesadas. Já no segundo álbum, intitulado Freaky Styley (1985), as drogas começam a estremecer as relações dos “Peppers”, mesmo tendo como produtor George Clinton, um conhecido produtor e músico norte-americano (nada mais nada menos que o linha de frente de Funkadelic e Parliament). Na fase desse álbum, o vocalista Anthony Kiedis e Hillel Slovak se envolvem com heroína, e as dificuldades começam a transparecer. Apesar disso, o Red Hot Chili Peppers segue a carreira e lança “The Uplift Mofo Party Plan (1987), um dos melhores álbuns na minha opinião. Uma peculiaridade deste álbum é que eles estão com a formação original da banda, quis o destino que os integrantes originais se juntassem novamente e voltassem a tocar juntos para fazer esta obra prima do chamado “Funk- Punk”. Mas o destino também reservava um infeliz fato que deixaria marcas para sempre na carreira da banda. Com o grupo ficando conhecido no cenário musical, eles são convidados para uma turnê na Inglaterra e os “Peppers” seguem deixando sua marca com sua sonoridade de banda punk misturando rock alternativo com pitadas de rap e funk, uma verdadeira salada musical, mas com muita qualidade sonora. Mas um fato marca a trajetória da banda: o guitarrista Hillel Slovak de apenas 26 anos, então dependente do uso de heroína, sofre uma overdose da substância, causando sua morte, tendo sido encontrado sem vida em seu apartamento na Califórnia, no dia 27 de junho de 1988. Neste momento, a banda acaba dando um tempo nos trabalhos para tentar se recuperar da tragédia, que serviu de alerta para o vocalista Anthony Kiedis, também dependente da mesma substância, que aproveita o momento para buscar auxílio em relação ao vício. Infelizmente, por um imenso número de motivos e situações, muitos músicos, por  diversos motivos e situações, acabam se entregando a este tipo de vício, deixando-se influenciar pelos efeitos momentâneos das drogas. Porém, as consequências maléficas, muitas vezes irreversíveis, com frequência fazem o mundo musical perder ídolos.

Após esta parada, o RHCP retoma as atividades e, apesar de todas dificuldades enfrentadas, eles voltam com força total e lançam o álbum icônico Mother’s Milk (1989), recheado de hits e mostrando que a banda segue forte para prosseguir na carreira. Para gravar as faixas deste álbum, recrutaram como produtor musical o famoso estadunidense Rick Rubin e, para o posto de guitarrista, o jovem John Anthony Frusciante, de apenas 19 anos, mas com muito talento. Com o lançamento deste álbum o grupo ganha grande destaque na mídia mundial, realiza muitos shows e tem a carreira consolidada de forma incontestável, alcançando números impressionantes. Entusiasmados com o grande sucesso do álbum, o RHCP segue para a produção do próximo Lp, Blood Sugar Sex Magik (1991), que repete o sucesso do disco anterior. Com isso, surgem muitos grandes shows, com turnê visitando grandes estádios de muitos países. Mas com o sucesso também aparecem outros problemas, e John Frusciante resolve sair da banda, apesar de estarem vivendo o momento de maior fama e sucesso até então. Segundo ele, o tão desejado sucesso e a consequente quantidade de shows em sequência não estava mais fazendo sentido. Porém, Frusciante ao sair da banda se entrega totalmente ao vício da heroína, e, apesar de conseguir gravar alguns álbuns em carreira solo, fica depressivo e conhece a ruína, inclusive financeiramente, por não conseguir superar o vício neste momento.      

Sem Frusciante nas guitarras, o RHCP não tem outra alternativa a não ser seguir em frente e procurar outro guitarrista. Ao longo da carreira da banda muitos guitarristas passaram pelo posto: Arik Marshall, David Navarro (Jane’s Addiction), Josh Klinghoffer, Jack Sherman, John Frusciante, DeWayne McKnight, Jesse Tobias e, claro, Hillel Slovak. Parece que o rodízio no posto de guitarrista sempre foi um problema para a banda, seja por diferenças musicais ou pelo uso de drogas pesadas.

Em 1995, “One Hot Minute” é lançado com a formação da banda tendo Anthony Kieds nos vocais, Flea no contra-baixo, Dave Navarro nas guitarras e Chad Smith nas baquetas. Seguem os shows, ensaios, divergências internas e, claro, as confusões causadas em consequência do consumo de drogas pesadas, principalmente heroína. Nesta época, o guitarrista Dave Navarro e o vocalista Anthony Kiedis, em razão do consumo de heroína, começam a sumir sem dar satisfação à banda, deixando os outros integrantes em situações difíceis e muitas vezes sem saber o que fazer diante dos compromissos agendados. Com isso, a banda resolve dar um tempo nas atividades, cuidar de sanar a origem dos problemas e retomar apenas após uma reabilitação dos integrantes.

Após mais essa parada, por volta de 1998 a banda retoma as atividades, com o retorno do guitarrista John Frusciante, reabilitado das drogas, como o vocalista Anthony Kiedis. E desta nova retomada lançam o álbum “Californication” em 1999, no qual os “Peppers” emplacam mais sucessos que rendem novamente  inúmeros grandes shows. E ainda com esta formação lançam os álbuns “By the Way” (2002) e “Stadium Arcadium” (2006). A banda segue a vida tentando ficar distante das drogas, gravando álbuns e realizando ótimos shows.

Infelizmente muitas bandas se deparam com este mal da sociedade que são as drogas, um problema mundial que se faz presente em nosso cotidiano através dos tempos e por múltiplos fatores. É necessária a adoção de políticas públicas e campanhas massivas que fomentem esclarecimento e discussões para prevenção do uso de substâncias psicoativas, que além de ilegais são muito prejudiciais à saúde. Embora o tema seja um assunto que gera muitas discussões e se torna sempre extremamente delicado devido à complexidade das realidades e subjetividades envolvidas, precisamos não deixar esta discussão de lado, pois acredito que a discussão e o esclarecimento que se obtém através da divulgação de conhecimento e informações constituirão sempre o melhor caminho para superarmos qualquer tipo de dificuldade que nossa sociedade tenha que enfrentar. 

Sou um fã confesso dos RHCP, tenho em minha coleção, dois Lp’s, quatro Cd’s e três Fita Cassetes (isso mesmo fitas cassetes). Neste ano de 2023 o RHCP vai se apresentar em Porto Alegre após 20 anos, mas infelizmente não vou ter a satisfação de poder assistir esse show, que com certeza será singular e “supimpa” (gíria muito antiga kkk). Mas certamente já tenho a satisfação de saber que essa baita banda vai estar tocando em terras gaúchas, apresentando o melhor do seu repertório e com a energia de sempre.   Go ahead, Red Hot Chili Peppers!!! 

Marcelo Franco


terça-feira, 25 de abril de 2023

Charles Bukowski: sozinho com todo mundo


Podemos iniciar dizendo: seu jeito provocativo e pessimista retrata um pouco da negação social. Estamos falando de Henry Charles Bukowski. Nascido na Alemanha em 1920, aos três anos de idade Bukowski mudou-se com seus pais para os Estados Unidos, onde viveu a maior parte de sua vida, mais precisamente em Los Angeles. Poeta, romancista e contista, possui uma vasta obra literária que infelizmente ainda não foi totalmente traduzida para nosso país. Ficou conhecido por sua literatura transgressiva e provocadora e, diga-se de passagem, para quem nunca leu um conto do autor, “se você faz parte das massas, nem chegue perto”. 

Seu codinome “Velho safado”, traduz a temática que Bukowski aborda em sua literatura. Levantando a bandeira contra uma sociedade capitalista e hipócrita, Charles sempre foi avesso a tudo que vai ao encontro das massas, que elevam heróis idiotas e se espelham em pessoas vazias que apenas seguem uma tendência sem se questionar o porquê de tal comportamento.




Abordando em seus textos a falta de sentido da existência, a falta de esperança e desilusão nas relações, Bukowski é crítico e sincero em seus escritos. Em certa feita, foi perguntado sobre o que é o amor, então respondeu após acender um cigarro: “é como quando você vê a névoa de manhã, quando você acorda antes do sol nascer. É como um breve instante que depois desaparece”. Aqui podemos ver Bukowski sendo Bukowski. Com um formato simples de escrever ele cativa os mais singulares leitores, desagrada muitos enquanto encanta outros tantos. Influenciado por Fiódor Dostoiévski e Ernest Hemingway, seus livros são curtos mas impactantes aos olhos de quem os aprecia.

Na poesia “O pássaro azul” ele retrata bem a condição da face humana, denotando o quanto sufocamos nossos impulsos frente a uma condição do mundo exterior que foi construída de maneira meticulosa. Ele é duro demais com o pássaro azul que está em seu peito, mantendo-o aprisionado para que ninguém o veja. Se auto intitulando Henry Chinaski em suas histórias, Bukowski escreveu sobre o amor, sobre gatos, corridas de cavalos, os bares, mulheres, música clássica, brigas, sexo, drogas, bebida e o cotidiano dos que vivem contra as regras de um mundo falso e consumista. 

Bukowski sempre renegou o título de escritor ‘beatnik”, fazia questão de deixar claro que não fazia parte de nenhum movimento literário, se recusando a falar com William Burroughs, um dos famosos escritores da geração beat. Deixou claro que preferia seguir contando suas estórias nos subsolos do cotidiano social, trazendo muitas vezes um teor autobiográfico em seus livros, recheados de contos com narrativas surpreendentes que em geral demonstram um sincero sarcasmo. Aqui me vem à mente o primeiro livro que li de Charles Bukowski, à época de meus 15 anos, “Fabulário Geral do Delírio Cotidiano”, um livro que guardo até hoje com muito carinho. 

Bukowski foi esse escritor que segurou seu pássaro azul em seu peito, que deixava o pássaro sair muito raramente durante a noite, para que ninguém visse este lindo pássaro voar. Da obra do autor pode-se depreender que Bukowski não queria revelar sua sensibilidade e ternura como pessoa aos que viviam em seu entorno, percebe-se que esta é uma faceta que o velho poeta safado fazia questão de esconder. Viva o pássaro azul.

Marcelo Franco



Uma Análise Crítica da Música dos Ramones: “Bonzo Goes to Bitburg"

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