sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Ousando olhar por trás da máscara do homem massa



                Em tempos de crise e escassez de recursos, podemos identificar outra problemática que persiste em atravessar os tempos em nossa sociedade, “O homem massa”. Segundo José Ortega y Gasset, “Massa é o conjunto de pessoas a que podemos denominar homem médio”, caracterizando-se como um coletivo no qual cada homem não valoriza a sua individualidade, tendendo a fazer o que os demais estão fazendo de forma pouco ou nada racional. Dada sua definição, podemos com facilidade constatar que atualmente vivemos num mundo de massas, caracterizadas por serem qualitativas e vulgares. Os indivíduos constituintes destes coletivos são egoístas e egocêntricos, pois se consideram importantes na sociedade, mesmo não tendo uma opinião formada sobre as questões que movem nossa sociedade, tais como as relacionadas à política, por exemplo.

            Nessa teoria de comunicação, o homem massa não enxerga o poder de comunicação que teria em suas mãos, caso tivesse uma opinião formada. Ele está na multidão apenas por estar lá, e isto por si só para ele passa de meio a fim, tamanha a satisfação que o faz sentir-se o máximo simplesmente por estar inserido em uma multidão. Ele não se importa com o porquê de estar ali, por qual razão segue tal comportamento, e neste ponto reside o perigo de sua existência em ampla escala. Mas precisamos separar alguns pontos, pois podemos identificar um indivíduo na multidão e ele não fazer parte da “massa”. Dada esta sua essência qualitativa, podemos distinguir o que acontece, por exemplo, quando se está em um campo de futebol, momento no qual o indivíduo estaria apenas partilhando gosto ou afinidade em comum. A massa tem por outra característica importante o caminho da vulgaridade, uma vez que o indivíduo se conforma com o que já tem ou mesmo não tem. Não é uma divisão de classe, e sim de homem. Ressalte-se, devido a este aspecto, o perigo das massas. O indivíduo que ousa questionar os porquês da atualidade pode ser eliminado, sendo visto como uma ameaça apenas por pensar, e digo apenas pensar mesmo e não por pensar diferente, pois o homem massa rechaça a possibilidade do questionar e pensar, ele apenas aceita o que lhe é imposto.

            A massa hoje está muito presente nas redes sociais, nas quais os indivíduos apenas saem a curtir o que está na moda ou mesmo compartilhar um determinado tipo de assunto apenas porque todos estão fazendo. Se questionarmos esse indivíduo, ele não tem um porque de estar seguindo esse processo, apenas é parte da massificação de indivíduos alavancada hoje pela mídia eletrônica, que propicia a disseminação de massas de forma exponencial, dado seu vasto e rápido alcance. Não são poucos os exemplos de momentos na história que proporcionaram as condições ideais para o surgimento de grandes massas, mas certamente na atualidade quem lidera esse fenômeno são as mídias de grande alcance.

            O individuo que não se questiona, repise-se, é um perigo, pois basta uma informação para ele sair desesperado a fazer o que está sendo recomendado em qualquer noticiário, sem antes consultar um profissional da área e verificar se a informação transmitida está correta. Já dizia Freud: o indivíduo neurótico pensa a si mesmo, e nisso podemos pensar até mesmo nos suicídios.

                Pergunto: onde está a direção certa, qual o ponto de partida para melhorar nossa atualidade? É esse o tipo de indivíduo que queremos para nossa sociedade? Um indivíduo que não questiona o outro e nem a si mesmo? Que simplesmente aceita tudo que é imposto? Que nas eleições vota em um candidato pelo lindo corte de cabelo? Nosso país tem condições de mudar esse quadro, mas, para isso, é fundamental valorizar nossa educação, pois é só com educação que um país evolui intelectualmente e forma verdadeiros cidadãos. Assim, certamente podemos concluir que o ponto de partida para a desejada mudança nascerá no momento a partir do qual retribuirmos ao professor seu devido valor, enquanto cidadão a quem incumbe o nobre papel de moldar e disseminar a cultura, transmitindo conhecimento às futuras gerações de brasileiros.

           Marcelo Franco

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

A importância do Dasein na obra de Martin Heidegger


      Martin Heidegger nasceu na Alemanha em 1889 na cidade de Messkirch, em sua educação estiveram presentes a filosofia, a cultura e a língua grega.  Dasein pode ser traduzido como “Da”, significando “”, e “sein”, significando “ser” e o lugar onde podemos começar a responder essa questão é em nós mesmos, onde esse “nós mesmos” se apresenta como “Dasein” em Heidegger. Em “Ser e Tempo”, Heidegger descreve o Dasein sempre como a relação com o próprio ser, onde as características são existenciais, é o ente mais importante para se compreender o sentido de todas as coisas. O “ser-no-mundo” proposto pelo Dasein se projeta em possibilidades de ser que constituem o próprio ser. A compreensão do Dasein se dá na medida em que é o único ente capaz de compreender a si mesmo, exercendo o seu existir. Heidegger ainda descreve o Dasein da seguinte maneira: “A presença não é apenas um ente que ocorre entre outros entes. Ao contrário, ela se distingue onticamente pelo privilégio de, em seu ser, isto é, sendo estar em jogo seu próprio ser”.

O livro “Ser e tempo” realiza um estudo ontológico, direcionado por uma descrição existencial, onde basicamente a ideia se direciona ao homem como ser-no-mundo, onde o Dasein é esse ser no mundo, e sendo ser-no-mundo é temporal e histórico. Sendo assim, Heidegger, deixa explicito que a ontologia acabar por desvelar uma realização estrutural, onde aquilo que de certa forma possibilita muitas maneiras de um algo se tornar manifesto, mostrando tudo que pode ser percebido, sendo conhecido e entendido pelo homem. 

O ser-no-mundo é uma forma fundamental do homem que se apresenta como unidade, “embora em sua unidade possa ser interpretado sob vários aspectos” (Heidegger, 1987/2009, p. 179). Heidegger nos mostra que, o “ser-aí” como um “ser-no-mundo” está junto dos outros e consigo mesmo, além de estar junto das coisas. Sendo assim, o existir do homem é compreendido como uma perspectiva totalmente significativa compreendia por si mesmo e do que se mostra a sua volta, ou seja, em seu mundo, que acaba orientada por seu projeto de se realizar, tomado por um enredo significativo.

Heidegger de certa forma busca encontrar uma “fenomenologia fundamental”, e consegue trazer o ser como uma abertura para possibilidades, para todas as coisas. Ele questiona o ser como sendo um meio fundamental para a filosofia, e resgatá-la, o porquê ela foi negligenciada durante muito tempo o fato de ser considerada indefinível. Essas questões inspiraram Aristóteles e Platão e suas respectivas investigações filosóficas, mas infelizmente de certa forma acabaram sendo perdidas através dos tempos. Mas para Heidegger resgatar essa questão acaba por trazer outra problemática, o de saber por onde começar a responder essa questão. Pois o único lugar onde iniciamos a responder tal questão é dentro de “nós mesmos”, e Heidegger apresenta o Dasein, que se constitui de “Da-“, significando “ai”, e “sein”, que significa “ser”.

Podemos perceber que Heidegger apresenta circunstâncias para se compreender a existência do homem, tanto em condições de comportamento sadio ou mesmo em patologias, de forma a possibilitar se enxergar formas de existências concretas, direcionando possibilidades de atuações de futuros profissionais. Mas o filósofo aponta que, os estudos não são suficientes, pois seria necessário ao profissional ter a experiência para poder compreender as singularidades de cada ser humano, que são apresentados em contextos clínicos.

Heidegger trouxe a nós a discussão do ser-no-mundo, assinalando a transcendência do Dasein, constituindo a estrutura da subjetividade de como somos e como vivemos. Ele fala ainda que, o homem deve estar em permanente vigília em relação aos fenômenos que se apresentam e que o afetam diretamente no transcorrer de sua cotidianidade. Não há homem sem Dasein, não a sujeito sem mundo.


Marcelo Franco

Bibliografia:

*CERBONE, David R. Fenomenologia. Tradução de Cesar Souza. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

 *GILES, Thomas Ransom. História do existencialismo e da fenomenologia. São Paulo: EPU, 1989.

*HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Trad. Márcia de Sá Cavalcante. 3ª Ed. Petrópolis RJ: Vozes, 1989.

*Heidegger, M., & Boss, M. (Org.) (2009). Seminários de Zollikon. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, Referências Psicologia USP I www.scielo.br/pusp 258 Ida Elizabeth Cardinalli 258 SP: Universitária São Francisco. (Trabalho original publicado em 1987).

            _________________. Que é Metafísica. Tradução de Ernildo Estein. Abril cultural. São Paulo: 1973. (os pensadores)



sábado, 17 de abril de 2021

TED BUNDY, eu quero dominar vida e morte

 

A ideia deste post é trazer um pouco sobre a vida e a obra (de terror) que alguns assassinos em série deixaram marcadas em nossa sociedade. O tema principal será o termo “Psicopatia”, que deriva do grego e significa psiquicamente doente, tendo sido usado no século XIX para denominar, genericamente, toda a doença mental. Desde então, a definição de psicopatia tem-se revelado pouco consensual, tanto em termos clínicos como no âmbito forense. Na verdade esse termo se difundiu no início do século XX, onde foi registrado esse tipo de comportamento por inúmeros estudiosos.

Assim, apesar de afirmar-se que o tema “assassino em série” parece ser atual, não é assim tão recente. Os primeiros casos de assassinatos em série provavelmente ocorreram no início da história da humanidade. Registrados como os mais antigos estão Gilles De Rais e Elisabeth Countness Bathory, que atuaram por volta de 1500, tempo em que a maioria dos assassinos era considerada vampiro ou lobisomem. No entanto, o serial killer só foi finalmente reconhecido há exatamente 125 anos e o primeiro considerado assassino em série pela natureza de seus crimes data de 1888, o famoso Jack, “o Estripador”, que aterrorizou Londres com cinco vítimas conhecidas, todas prostitutas, que sumiam durante a noite e logo eram encontradas aos pedaços.

Dentre os mais assassinos em série maisfamosos, destacam-se, com este tipo de conduta, os “Seriais Killers” Theodore Robert Bundy (já diria uma grande prof. que tive na universidade o “Picasso dos assassinos em série”) , John Wayne Gacy (que era conhecido como palhaço “Pogo”) e Edward Theodore Gein que foi inspiração para filmes famosos como “Psicose” e “Silêncio dos Inocentes”.

Mas vamos ao que interessa, Theodore Robert Bundy ficou conhecido como “Ted Bundy” e que no meio da psicopatia ficou conhecido como “o Picasso” nessa obra de terror que assola nossa sociedade. Ele era o tipo rapaz bem visto aos olhos da sociedade, charmoso, bonito, extremamente inteligente, e muito confiante, com uma carreira promissora e alguém que a princípio seria um exemplo de cidadão, mas como diz o ditado: “quem dorme com cobra, amanhece picado” e o nosso bom moço tinha uma conduta mortal como uma cascavel. Usando sua boa aparência, ele era capaz de sequestrar e matar suas vítimas sem que ninguém à sua volta notasse e voltar ao seu quotidiano tranquilamente, sem levantar suspeitas, uma vez que atraía suas vítimas até o carro, e as espancava de maneira fria e cruel e após as levava embora, para, reservadamente, poder desfrutar de suas mortes.

As preferências de “Ted” sempre foram garotas bonitas de cabelo escuro, atacava suas presas sempre de forma traiçoeira, sempre utilizando objetos rombudos e tinha a obscura satisfação em morder e estuprar suas vítimas, onde se encaixava em um assassino em série sexual.

 “Eu quero dominar vida e morte” e “a fantasia que acompanha e suscita a antecipação que precede o crime é sempre mais estimulante que a sequela imediata do crime em si” frases que ficaram famosas que Ted disse em vida.



Marcelo Ávila Franco

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Vilões das Histórias em Quadrinhos: origens, importâncias e características.






Vilão! O que seria do Super-Herói sem o vilão? É um indivíduo misterioso de certa forma, uma peça importante nas histórias em quadrinhos, ele é o completo oposto do herói, ou mesmo o anti-herói. A palavra “vilão” refere-se ao habitante de uma vila, que pode ter origem na palavra latina “villanus”, o vilão era na Idade Média uma pessoa que não pertencia à nobreza feudal, que habitava urbanamente em vilas. Referindo a alguém ligado a uma vila. Por outro lado, nos dias de hoje, o vilão sempre busca seus objetivos a qualquer custo, passando por cima de tudo e de todos, segue suas conquistas deixando um rastro de destruição, seduzindo os ingênuos de forma a deixar marcas profundas. Realizar uma lista de vilões não é fácil, pois podemos deixar de destacar muitos vilões importantes nas Histórias em Quadrinhos, de qualquer forma vamos trazer alguns personagens emblemáticos nas HQs, enfatizando sua importância e características para se caracterizar em um vilão.


CORINGA

Para começar podemos trazer o arque inimigo do Batman, o Coringa, que tem uma personalidade psicopática e um alto grau de frieza, um dos vilões mais insanos das HQs. Ele foi criado em 1940, pelos mesmos criadores do Homem Morcego, e não é considerado apenas um vilão, é sim um dos maiores vilões da Detective Comics, um dos mais reconhecidos vilões das histórias em quadrinhos. É um ícone dos vilões.

A origem real do personagem Coringa, assim como seu verdadeiro nome permanecem como incógnitas, em algumas histórias podemos ver sua trajetória inicial, mas não podemos identificar precisamente, não se identifica com certeza como tudo começou. Uma das versões mais comentadas é a de que o palhaço participaria em uma tentativa de um assalto em uma fábrica de Cartas de Baralho em Gothan City.

A versão mais aceita por fãs e entendidos no assunto é contada na revista Detective Comics #168, depois reescrita em Piada Mortal de 1988. Considera-se o Coringa um vilão psicopata em potencial que demonstra um único objetivo, o de ver as situações nunca seguirem o caminho certo, apenas em rumo ao caos.



MAGNETO

Magneto é um vilão diferenciado, tem um forte poder de persuasão, onde convence muitos seres com poderes diferenciados, chamados mutantes. O vilão em questão consegue controlar qualquer tipo de material que tenha o formato de metal. Surgiu a primeira vez nos X-Men vol. 1 em 1963, se caracterizando no primeiro vilão que se declarou contra o grupo dos X-men.

Pode-se dizer que ele e considerado um herói para alguns mutantes, pois defende apenas, interesses daqueles que possuem algum poder diferenciado, uma minoria mutante. Mas, ao contrário seus interesses são de exterminar a raça humana, e desenvolver cada vez mais os mutantes. É um vilão poderoso e inteligente, que marca presença em suas atitudes.

 




LEX LUTHOR

O excêntrico milionário, que busca por poder a qualquer custo, é um vilão meticuloso, não é detentor de nenhum super poder, mas demonstra um “qi” avançado, o que lhe proporciona muito poder.

Apareceu pela primeira vez em 1940. Num formato do típico indivíduo rico e louco, que é provido de grande inteligência e, com uma personalidade excêntrica, busca a todo instante o poder. Não podemos deixar de caracterizá-lo como um dos maiores vilões dos quadrinhos, pois ele é nada mais nada menos, que o arqui-inimigo do Super-Homem.


RA´S AL GHUL

Considerado um vilão imortal, R’as Al Ghul tem uma história peculiar nos quadrinhos, Líder da Liga das Sombras, e criado por Dennis O ‘Neil e Neal Adams, Ra’s aparece pela primeira vez em 1971, em histórias do Batman. Apesar de toda sua inclinação para o lado obscuro das HQs, R’as já tentou inúmeras vezes levar o Homem Morcego a juntar-se a sua causa, por saber do potencial de Batman, e enxergando nosso herói, como sendo um homem de inúmeras qualidades, ele não desiste de tentar fazer o Batman a lhe apoiar.

 


DUENDE VERDE

Duende Verde é uma verdadeira pedra no sapato do Homem Aranha, criado por Stan Lee e Steve Ditko, sua primeira aparição foi em 1964. Se, tornou um dos principais vilões do universo Marvel, por sua popularidade. Podemos dizer que, o Duende, tem outro lado, na personalidade Norman Osborn, que através de experiências acabou desenvolvendo alterações em sua personalidade, e transformando-se no lado obscuro que podemos chamar de Duende Verde.

. . . 

A sociedade, já convive com o crime há muito tempo. Com as HQs não é diferente, os criminosos acompanham as histórias desde o princípio. Os vilões desenvolvem um papel importante nas HQs, pois sem eles os heróis não teriam trabalhos a fazer.

Muitas vezes os vilões nas HQs, são intrigantes e assustadores, e mesmo assim acabam conquistando a admiração de muitos leitores. Nesse caso, podemos fazer um paralelo entre sociedade e as HQs, levando em consideração que o conceito de criminalidade provém de um paradigma social, não pode esquecer que no mundo real o vilão não é bem vindo e devem ser tratados como tal, ao contrário das HQs, que desenvolvem um papel fundamental no enredo das histórias, mas do mesmo jeito ainda são vilões.

 Marcelo Ávila Franco





sexta-feira, 9 de abril de 2021

Narciso e a fotografia do espelho atual de nosso cotidiano

 


            A fotografia nada mais é que uma forma de eternizar um momento, seja ele triste ou alegre, ela eterniza o instante em um ato simples e momentâneo. Quando é acionado o botão da máquina, é certo que mais um momento foi eternizado, e que para sempre será lembrado quando aos olhos de alguém for contemplado. A foto pode ser comparada a uma arte, na verdade a arte de reviver momentos especiais, pois ela não deixa morrer o passado que fica eternizado num pedaço de papel ou arquivo, como nos dias atuais.

            Freud utilizava como metáfora do aparelho psíquico a ótica do “aparelho fotográfico”. No livro “A interpretações dos sonhos” ele sugere que se visualize o instrumento que executa nossas funções anímicas como semelhante a um microscópio composto, um aparelho fotográfico ou algo desse tipo. Isso nos faz pensar na relevância de um momento que fica registrado no inconsciente, ou que é relembrado pela fotografia, que se utiliza de uma linguagem que aguça o inconsciente e transporta para o consciente.

            Narciso quando se deparou com sua imagem no rio, se apaixonou por ele mesmo, nada muito diferente do que acontece com todo indivíduo que se depara com um espelho. Dificilmente quando nos deparamos com um espelho, resistimos a uma boa olhada, da cabeça aos pés, para conferirmos como está nosso visual. Mas as pessoas não gostam de admitir que são vaidosas, e negam que olham para o espelho, como se fosse um crime dizer que somos vaidosos. É nesse momento que entra a fotografia. Ela é um bom disfarce para nos olharmos e contemplarmos nossas belezas pessoais. São inúmeras as desculpas para colocarmos defeitos na fotografia, que eterniza o momento que nunca mais vai voltar, registrando-o eternamente em um pedaço de papel ou mesmo virtualmente.

            A fotografia traz a beleza do momento eterno. Relembrar um momento pode trazer tristeza, mas também inúmeras alegrias. Imagine o que seria da história sem as fotografias, como poderíamos relembrar uma festa, uma viagem, um casamento e por aí vai. E pensando em futuro, como nossos filhos e netos lembrariam de nós sem uma foto? Como conheceriam a imagem de nossos ancestrais? A imagem fotográfica pode ser a prova de que estivemos presentes em algum lugar e, de certa maneira, atesta a individualidade daquilo que se está mostrando.

            Hoje a fotografia constitui-se um produto em si, que desvenda novos nichos de mercado de forma muito rápida. É também um importante meio em vários mercados e mídias, sendo usada intensamente em revistas, jornais, sites, blogs, redes sociais em geral e até como provas periciais. É um objeto importante em nosso cotidiano.

            Quem não gosta de ver um momento importante em sua vida sendo eternizado? Simplesmente para poder dizer: “- Eu estive lá!” Seja na Torre Eiffel, Museu do Louvre, Cristo Redentor, Laçador ou presenciando o nascimento de um filho. Eternizar aquele bom e narcísico momento nos faz bem e alimenta o ser humano.

Marcelo Ávila Franco

Ensaio sobre o xadrez, resgatando o olhar do outro

 



Xadrez é um jogo de tabuleiro, e por sinal um dos mais antigos na história mundial. Jogo que teve origem na Índia, aproximadamente em 1945 tomou forma em suas regras, tal qual o conhecemos na atualidade. Com a finalidade de derrotar o rei adversário, muitas estratégias são elaboradas para se buscar a vitória, nunca esquecendo o respeito pelo adversário e às regras que envolvem esse jogo. O regramento do xadrez enaltece a importância de cada peça do tabuleiro, enquanto formador de uma equipe, uma vez que determina funções específicas para cada classe de figura.

            De que forma esse nobre jogo, apesar de complexo, pode ajudar no desenvolvimento intelectual de crianças, jovens, adultos e idosos? Bem, muitos estudos já foram feitos para comprovar os benefícios que o xadrez traz para o estímulo ao desenvolvimento cognitivo, entre muitos podemos citar: a imaginação, inteligência, criatividade, auto-estima, raciocínio rápido e preciso, além de pensamento lógico e abstrato. Mas o xadrez não para por aí, além dos benefícios para o desenvolvimento cognitivo, proporciona aos seus praticantes outro conjunto de vantagens, relacionado à tomada de decisões, na qual o indivíduo trabalha a capacidade de escolher uma melhor alternativa, sem apoio ou opinião externa, tendo a autonomia de escolha.

                        Freud afirma que, o xadrez é um jogo que consiste em relações progressivas de estratégias, segundo ele: só sabemos como inicia e como termina; o meio é diferente a cada jogo e as “jogadas” do analista vão depender da “jogada” do paciente. Além de trazer benefícios para a parte cognitiva, pode servir de ferramenta para terapeutas.

            O xadrez pode ainda de alguma forma desenvolver a empatia. Como é um jogo que exige disciplina por quem o pratica, o “ser” jogador de xadrez ou “enxadrista” como se chama quem joga xadrez, acaba internalizando principalmente o respeito pelo adversário, onde outras características se juntam nesse sistema de regras e o jogador precisa se enquadrar ao sistema, para poder usufruir os prazeres do pensar. Uma partida pode durar horas, o que exige concentração dos envolvidos, tanto de quem joga, quanto de quem assiste a uma partida.

Em nossa sociedade, questões éticas e morais deveriam estar sempre em primeiro lugar, mas infelizmente a abordagem quotidiana destes conceitos tornou-se rara atualmente. Neste contexto, além dos ganhos relacionados aos aspectos cognitivos que proporciona, o xadrez seria uma adequada alternativa na tentativa de resgatar o relacionamento interpessoal e o bem viver em sociedade, uma vez que se trata de um jogo de regras variadas e complexas, porém rígidas, tal qual a sociedade, e que ressalta a importância individual de cada membro, diante de suas atribuições únicas e distintas em relação aos demais.

É tempo de resgatar o olhar do outro, o conversar à moda antiga, marcar um encontro para uma partida de xadrez “on-line” que é a disponibilidade em tempos de pandemia, vivenciar um simples “bate-papo” com apenas uma pessoa, mas de forma verdadeira, resgatando o prazer de uma conversa natural, natural como desenrolar das jogadas de uma verdadeira partida de xadrez.

Marcelo Ávila Franco

*Garry kasparov

Maior enxadrista de todos os tempos 


sábado, 19 de dezembro de 2020

John Wayne Gacy, "o palhaço assassino"

            


             O presente texto visa abordar os principais elementos comportamentais observados no livro “Killer Clown-retrato de um assassino” e no filme “Gacy”, que conta a história real do assassino em série “John Wayne Gacy”.  O livro e o filme descrevem o comportamento de um indivíduo a cima de qualquer suspeita em nossa sociedade. O comportamento criminoso, que se define pela incapacidade de respeitar os direitos alheios, mostrando sua necessidade de violar as normas sociais, prevalecendo sua falta de remorso e a indiferença pelo sentimento do outro. Gacy sempre matou pelo próprio prazer, tinha o prazer de torturar suas vítimas. Freud (1969) mostrou, no decorrer do “O Mal-estar na Civilização”, que o potencial de destruição é algo da própria natureza humana, que o ser humano é inclinado ao mal e que atos perversos são próprios de nossa organização.

 O indivíduo que comete estes delitos geralmente adota um comportamento cruel, possui baixa tolerância à frustração e desprezo por normas e regras, além de demonstrar um alto nível de impulsividade. O transtorno anti-social segue um padrão de desconsideração que pode iniciar na infância ou no começo da adolescência, e continuar a se manifestar na idade adulta. Estes indivíduos usam as pessoas para chegar a um objetivo, são verdadeiros atores, seguindo três objetivos básicos: poder, status e prazer.

O livro Killer Clown - Retrato de um assassino” traz uma temática investigativa, onde é narrado pelo promotor “Terry Sullivan” e o jornalista “Peter Maiken” que trazem com mais detalhes toda história dos assassinatos, realizando um passo a passo dos crimes cruéis que Gacy cometeu em quase sete anos. Já o filme “Gacy” (2003), conta a história de John Gacy, como um dos maiores psicopatas que a história norte-americana já conheceu, ele matou mais de trinta jovens, e os deixava no porão de sua casa, jamais levantando qualquer suspeita de alguém.

Essa história ganhou uma projeção mundial em todos os canais de comunicação, vindo a ser considerado um dos mais famosos assassinos em série de todos os tempos, e sendo assim a cultura pop não deixou por menos. Hoje temos inúmeras matérias sobre esse assunto, que tem o alcance em filmes, revistas, reportagens, matérias especiais, blogs, sites, canais no you tube e até podcats.

O palhaço assassino, John Wayne Gacy Junior, nasceu em 1942, em Chicago, nos Estados Unidos. Fantasiava-se de palhaço em festas e era membro do Conselho Católico e da Defesa Civil. Ele atraía as vítimas para sua casa com promessas de emprego em construção civil ou pagamento em troca de sexo. (NEWTON, 2008) Começou a matar perto de fazer 30 anos. Suas vítimas eram sodomizadas,
torturadas e mortas, geralmente sufocadas ou estranguladas. Algumas vezes vestia-se como seu alter-ego, o palhaço Pogo, e/ou lia alguns trechos da Bíblia em voz alta, enquanto torturava suas vítimas eleitas. Foi graças ao forte odor emanado de seu porão que a polícia descobriu 28 corpos embaixo de sua residência, e outros cinco corpos ao redor de sua casa. Foi executado por injeção letal em 10 de maio de 1994. John Wayne Gacy Junior dizia: “Um palhaço pode ‘se sair’ só como um palhaço”. (CASOY, 2004, p. 283)

            O tema assassino em série, mesmo nos dias de hoje tem aparecido com mais frequência na mídia, sendo temas de séries, quadrinhos e filmes. Algumas pessoas ainda hoje, de forma absurda, pensam que esse tema é “coisa de cinema”, mas se pesquisarmos sobre o assunto, percebermos que esse mal já assola nossa sociedade desde o século XIX, onde as ruas de Londres foram aterrorizadas com um assassino intitulado Jack, o estripador. E de lá para cá podemos enfileirar vários nomes como Adolf Hitler, Unabomber, Zodíaco, John Gacy (nosso personagem de estudo) Ted Bundy, Ed Gein e Jeffrey Dahmer (esses dois últimos as tendo inspirado o filme consagrado “Silêncio dos inocentes”). Chegando até mesmo na realidade brasileira com Marcelo Costa Andrade, mais conhecido como “Vampiro de Niterói” e o motoboy estuprador “Maníaco do Parque”.

Levando em consideração que criminalidade é um fator social, não podemos esquecer que crueldade é outra realidade, e no caso do assassino em série, ele sabe o que faz, como faz e com quem faz. Podemos dizer que o indivíduo com esse tipo de transtorno é totalmente razão e nada de emoção. Seus delitos vão aumentando consideravelmente, até transpor a barreira limite, e assim satisfazer suas fantasias mais extremas e insaciáveis, cometendo seus atos criminosos de tempos em tempos, satisfazendo assim suas vontades pessoais.

O comportamento cruel desse indivíduo, demonstra total falta de empatia com os outros, deixando um rastro de destruição por onde passa. Não esquecendo que, no tempo em que “John” ficou preso esperando sua sentença, ele se dedicou a pintura artística, pintou personalidades famosas – como Al Capone, Charles Manson, John Dillinger e Hitler -, mas o tema principal de suas pinturas sempre foram os palhaços.  E acabou vendendo alguns por valores bem altos, se tornando um sujeito na época muito popular e até cultuado por algumas pessoas. Dê maneira inacreditável, suas pinturas foram exibidas em várias galerias norte-americanas, onde os valores giravam em torno - de US$ 100,00 a US$ 20.000,00 – para adquirir uma tela do assassino em série. O Serial Killer Gacy chegou a receber um lucro de US$ 140.000,00 por suas obras vendidas.

Casoy (2004) faz uma distinção, que pode ser considerado um aspecto classificatório entre os psicopatas: os chamados psicopatas organizados e os desorganizados. Segundo suas observações, os assassinos organizados têm uma inteligência média para alta, são astutos, sexualmente competentes, trazem sua arma e instrumentos que vão usar no delito, entre outras características; já os desorganizados têm inteligência abaixo da média, um distúrbio psiquiátrico grave, são sexualmente incompetentes, sempre deixam as cenas dos crimes desorganizadas e selecionam suas vítimas por acaso, diferentemente dos organizados.

Quanto ao modus operandi, Casoy (2004) estabelece que seja determinado, observando que arma foi utilizada no crime, o tipo de vítima selecionada e o local escolhido. O modus operandi é dinâmico e maleável, na medida em que o infrator ganha experiência e confiança, diferente da assinatura do agressor em série, que é sempre única, como uma digital, e está sempre ligada à necessidade do serial em cometer o crime.

O comportamento instintivo dos assassinos em série é sempre muito evidente. Comportando-se como animais, praticam seus atos por impulsos irresistíveis, sem qualquer tipo de emoção, conflito ou mesmo culpa. São predadores que de tempos em tempos vão à caça, em intervalos de tempo que dependem muitas vezes de sua necessidade de matar. Costumam ser metódicos e quase nunca cometem erros, pois sabem das consequências que esse tipo de conduta pode ocasionar. (CASOY, 2004)

Esse tipo de assassino segue sempre uma forma de cometer seus crimes, pratica seus assassinatos das mais variadas formas possíveis, mostrando muitas vezes o que o ato de matar alguém representa para ele. Suas vidas acabam girando em torno dos crimes, verdadeiras obras do mal. Acabam se comportando sempre descontroladamente, tipo uma “locomotiva” desgovernada, ignorando leis e regras sociais que são necessários para se viver em harmonia na sociedade. O Serial Killer se encaixa na classe de indivíduos que nascem para fazer o mal, sem a capacidade de se colocar no lugar do outro, mas que conseguem passar despercebidos em sociedade, sendo verdadeiros “camaleões” que só são descobertos depois de sua obra do mal estar pronta.  

Marcelo Ávila Franco

 Referências: 

CASOY, I. Serial killer, louco ou cruel? 2. ed. São Paulo: WVC, 2004.

______. Serial killers, made in Brazil. 2. ed. São Paulo: WVC, 2004.

FREUD, S. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1969. (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud; v. XI).

NEWTON, M. The Encyclopedia of Serial Killers. New York: Checkmark Books,
2008.

SAUNDERS, C. Gacy. EUA: DEJ Productions, 2003.

 SULLIVAN, T. MAIKEN, P. Killer Clown - Retrato de um assassino. DarkSide Books, 2019.

 

 

Uma Análise Crítica da Música dos Ramones: “Bonzo Goes to Bitburg"

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