quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Teoria da Conspiração: teria Paul McCartney morrido em 1966 e substituído por um sósia?


Seria possível forjar a morte de alguém??? Pois é, essa é uma dúvida que paira também no meio da música, o mundo musical expressou a morte de inúmeras formas, passando por letras de músicas, mensagens rolando o disco ao contrário e capas de discos. Isso mesmo nem a arte das capas escapa, deste imaginário que existe em torno da morte ou de alguém estar morto.


Bem, vamos parar com as delongas e ir direto ao assunto, um dos mistérios mais famosos no meio da música, é sobre a teoria da capa do disco “Abbey Road" dos Beatles de 1969, em que segundo os fãs mais fanáticos dizem que o baixista Paul McCartney estaria morto. Tudo se iniciou quando fãs notaram que Paul McCartney estava descalço na capa do disco Abbey Road. A famosa capa do álbum dos Beatles que aparecem os quatro garotos de Liverpool caminhando em fila indiana, esconde segundo especialistas do tema teoria da conspiração, que o Beatle original já havia morrido em um acidente de automóvel. Na ordem da esquerda para direita está John Lennon, de branco, caracterizando um padre, em seguida temos Ringo Starr, de preto, que seria um agente funerário; em terceiro e não menos importante o suposto morto Sir Paul McCartney, de pés descalços (você está ligado na tradição de enterrar os mortos descalços né? Não? Então se liga!!!!); e por último o guitarrista George Harrison, um coveiro. Nesta imagem podemos pensar que os fãs da banda trazem no seu íntimo uma imaginação muito fértil em suas mentes, mas as mensagens não param por aí, e esta imagem ainda coloca até os carros em questionamento, onde pode-se notar que um dos carros está na mesma linha que Paul, bem acima da cabeça do músico, passando a mensagem subliminar que este automóvel causou a morte do baixista dos Beatles, (que loucura) e além disso não podemos esquecer que os ingleses dirigem do lado esquerdo da pista, diferente da forma que se dirige por aqui.


Se isso tudo não bastasse, aparece uma viatura da polícia que está estacionada entre John e Ringo para atender a suposta ocorrência de trânsito. Neste momento peço a paciência de todos, pois ainda tenho algumas coincidências para apresentar. Seguindo essas coincidências, podemos apontar mais elementos que a imagem evidencia, onde um fusca branco do lado esquerdo com a placa “LMW 28IF” que está do lado esquerdo da imagem, esta placa remete a uma simbologia interessante, onde segundo os entendidos da teoria quer dizer uma abreviação de “Linda McCartney Widow” onde traduzindo se diz, "Linda McCartney viúva”. Esse fusca ainda traz na placa o número 28, que simboliza nada mais nada menos que a idade do baixista, senhoras e senhores, caso estivesse vivo é claro. Paul se casou com Linda em 12 de março de 1969, ano em que o Lp Abbey Roud foi lançado (e vejam vocês dia do meu aniversário, sorte não ser o mesmo ano, assim fico mais tranquilo).



Tudo isso para dizer que, o contrabaixista Sir Paul McCartney havia morrido em 1966 em um acidente automobilístico, e para não prejudicar a popularidade da banda a gravadora dos Beatles ‘Capitol”, havia conseguido um sósia para assumir o posto de baixista da renomada banda Beatles, onde o também inglês “Willian Campbell” que seria muito parecido com o suposto morto “́Paul McCartney”. No livro “The Beatles: a biografia” que tive o prazer de desfrutar da excelente leitura, o autor Bob Spitz cita outro fato muito intrigante, dizendo que dois anos antes ao lançamento do álbum Abbey Road, foi realizado um concurso de sósias do baixista Paul McCartney, onde o inglês “Willian Campbell” acabou por ser escolhido como o mais parecido com o baixista Paul.



Esse fato nos mostra que a morte de certa maneira movimenta nossa sociedade, pois este álbum vende muito ainda hoje,  e as pessoas quando ficam sabendo deste fato buscam saber desse boato fúnebre. Segundo Burrows, a capa do álbum Abbey Road, foi uma simplicidade personificada, apenas uma foto dos quatro Beatles atravessando uma faixa de pedestres bem na frente dos estúdios de Abbey Road. Me vem à cabeça neste momento que uma banda que sou fãzaço também fez essa capa, os Red Hot Chili Peppers, fez uma foto igualzinha, porém (os integrantes estão pelados). Mas, voltando à capa original, estranhamente, podemos notar que, o fato de apenas Paul aparecer descalço foi usado como evidência de seu falecimento no bem documentado-rumor “Paul morreu”, que já havia iniciado nos EUA.



Enfim, a rua que a banda fez essa foto tão icônica se tornou mundialmente famosa, e até os dias de hoje, muitos fãs e curiosos vão até o local para imitar a pose que a banda fez atravessando a avenida. Você já ouviu falar em mensagem subliminar? Então, são aquelas mensagens onde os nossos sentidos não conseguem perceber de maneira consciente, sendo assim, esta mensagem acaba se tornando imperceptível aos nossos sentidos. E essa mensagem subliminar relacionada a morte do baixista Paul McCartney no ano de 1966, acaba por trazer mais uma vez o lado sombrio e obscuro em torno da morte e seus mistérios.


Marcelo Franco


sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Lembrando o esquecido



 A beleza da noite esconde um segredo,

junto aos prazeres que disfarçam o medo.

Estranha e bela é a visão desta lua,

notei enquanto aos passos na rua.

Mas subitamente o tempo mudou,

desfazendo o show que o luar reservou.

A lua garbosa à beira do mar,

lembra o vazio e traz o esquecido, quase vencido,

um algo a mais que não traz o esperar,

registro de instante vivido, porém preterido.

Abismo sem fim trilho em meu interior,

outrora andava em noite de céu constelado

agora, camuflado num escuro sombrio.


Quantos momentos diante de mim

lembrando o esquecido haviam passado ! 


Marcelo Franco

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Faith no More: fé nunca mais



Fonte: https://revistafreak.com/faith-no-more-30-anos-de-the-real-thing-a-hora-e-a-vez-da-banda/


Em 27 de setembro de 1991 tive a sorte de assistir a um show de uma das bandas mais fucking great que conheci 3m minha adolescência. Ressalte-se que, para o Marcelo adolescente da época, todas as bandas eram muito "tri" (monossílabo que adjetiva algo que nos agrada aqui nos pampas). Faith no More significou mais que "tri", algo diferente, desde quando assisti a apresentação dos caras no "Rock in Rio II" pela televisão (claro) - imagina um cara apaixonado por música e com pouco acesso às novidades musicais, pois na época você não tinha todo acesso que existe hoje. Alíás, lembro que as fontes mais confiáveis e completas de informações relativas ao mundo musical que se tinham eram a revista "Bizz" (que eu comprava todo mês) e as rádios, em especial a rádio "Ipanema fm" aquela do "n" (explico em outro momento a referência). E foi acompanhando um pouco a carreira da banda através destas fontes que fiquei sabendo que eles iriam tocar em Porto Alegre, cidade vizinha a que eu morava na época (a velha Canoas "city" que segue como antes, uma cidade que não evolui em termos culturais).

E então, chegado o grande dia, lembro-me como hoje minha empolgação com o show do Faith No More no Gigantinho, pois havia combinado de ir com um colega de escola da época (vou preservar o nome do mesmo, apenas posso dizer que hoje ele é médico). Preparamos uma garrafa de vodka, que na verdade compramos em um supermercado qualquer, e fomos tomando no caminho para o show (isso não ia dar certo kkk). Lembro-me, entre os poucos registros que ficaram disponíveis em minhas memórias, que usei uma camiseta da banda  Red Hot Chilli Peppers e que estava muito ansioso para contemplar o que haveria de ser um dos melhores shows de minha vida até o momento, pois era uma banda gringa que havia me empolgado com seu rock pesado (como se dizia na época, alternativo, por ser diferente do que se conhecia até então).

Pegamos o trem na estação Canoas e seguimos para Porto Alegre e, chegando na estação terminal Mercado, descemos e já começamos a beber um pouco daquela vodka, que por sinal lembro até o nome: BAIKAL, cujo rótulo ainda informava vodka Russa (com fabricação paraguaia certo, pois posso não lembrar detalhes do show, mas da vodka responsável por isso sim kkk). Após, seguimos rumo ao Gigantinho,  percorrendo a orla do Guaíba desde a Usina do Gasômetro, acompanhados da Baikal. Chegamos ao local do show por volta das 16 horas e por lá o movimento, que já era intenso,  aumentava cada vez mais. 

Bem, o show incluía uma banda de abertura, sobre a qual prefiro nem comentar, apenas referir que o vocalista foi um dos integrantes do Menudo (isso mesmo, aqueles da música “Não se reprima” !). Essa banda não conseguiu tocar nem 30 minutos, pois recebeu vaias em cima de vaias da plateia que arremessou inclusive moedas e outros objetos na direção dos seus integrantes. Terminada a tortura auditiva da banda de abertura (que nem faço questão de lembrar o nome), teve inicio o esperado show do Faith No More.

Hora de tirar as crianças da sala, pois o show iria iniciar e alguns integrantes entraram vestindo bombachas (o que achei estranho e não curti muito). Na sequência, o set list começou forte, com From Out of Nowhere e seguiu com as músicas do terceiro LP, que era o álbum que, por aqui, levou a banda ao sucesso da época. Seguindo aí, tocaram “Woodpecker From Mars”, “ Surprise! You’re Dead!”, “Zombie Eaters”, “The Real Thing” (adoro essa música) e claro a manjada “Epic” entre outras.


https://br.pinterest.com/pin/663929170038690376/

Fonte: https://revistafreak.com/faith-no-more-30-anos-de-the-real-thing-a-hora-e-a-vez-da-banda/

Infelizmente nem todo show transcorreu às mil maravilhas, aliás a experiência me ensinou muito… lembram da Baikal vodka russa com fabricação paraguaia? Pois é, ela me mostrou que para se aproveitar um show é necessário moderação, mas convencer disso um adolescente é muito difícil, você se acha o “super homem” e que nada pode te derrotar (a não ser a vodka Baikal, Kriptonita do Marcelo kkkkkkkk URGH). Para resumir a saga, sei que consegui contemplar apenas parte do show do Faith No More e em algum momento ainda me perdi do amigo e acabei voltando sozinho para casa (no modo controle remoto, aperta o botão e vai). Frise-se que os tempos eram outros, ainda se podia andar a pé pelas ruas e nada acontecer, diferentemente dos dias atuais. 

Enfim, cheguei em casa são e salvo, e apesar dos pesares, baseado nas memórias que ficaram relativas à parte do show, este foi muito “@fud#ê” mesmo!!! Mas ficou a lição: antes do show beber com moderação, Marcelo!!!!

Marcelo Franco

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Pulp Fiction: Tempo de Violência

 


Os filmes de Quentin Tarantino são apaixonantes, principalmente para aqueles que não gostam de coisas triviais. Eleger um melhor filme de Tarantino depende muito do gosto de cada espectador, e no meu caso, sem pensar muito, entre os filmes desse diretor, crítico, ator, produtor e roteirista, Pulp Fiction é o escolhido. Este filme é uma obra, uma pintura ou quase uma sétima maravilha do mundo do cinema. Uma trama cheia de violência e momentos carregados de situações inusitadas, beirando muitas vezes o estranho e, porque não dizer, o bizarro e absurdo. Seguindo uma linguagem direta, o filme é recortado de maneira a se desencontrar de sua sequência, algo que deu muito certo, intrigando o espectador.


  


O filme simplesmente não segue o padrão costumeiro de introdução, desenvolvimento e conclusão, e acaba por recortar as ordens das cenas recortadas, dando um formato em sequência apenas de atos a cargo do próprio espectador, conforme seu discernimento ao longo da película.



O filme começa em uma cafeteria, na qual ocorre um assalto realizado por um casal um pouco desastrado e desorganizado para tal ato. Nesta sequência nossos ouvidos já podem verificar que teremos uma bela trilha sonora (Tarantino tem um ótimo gosto musical). Vamos aqui também seguir esta sequência fora da ordem para falar sobre esta obra carregada de cenas pesadas contendo linguagem obscena, sangue, drogas, mortes e claro muitos tiros para todo lado.



Outro ponto único são as marcantes frases de impacto, que nos fazem lembrar das cenas do filme depois de assistí-lo. Frases que após você ler, a imagem vem fixa na memória, tipo direto do inconsciente, tais como:

"Maldito orgulho. O orgulho só dói, nunca ajuda." Marsellus Wallace.

"O respeito. O respeito pelos mais velhos dá caráter." Lobo.

"Você não precisa me dizer como é bom o meu café, sou eu quem o compra, sei como é bom." Jimmie Dimmick.

"Zed está morto, baby. Zed está morto." Butch Coolidge.

"Hamburgueres! À base de qualquer café da manhã nutritivo." Jules Winnfield.

Fala "o que" de novo!! Fala "o que" de novo!! Eu te desafio! Eu te desafio, Filho da Puta, fala "o que" só mais uma vez! Jules Winnfield.

"Sim, os dia que passei esquecido estão terminando e, os dias em que serei lembrado estão apenas começando." Pumpkin.

"Não é mais emocionante quando você não tem permissão? Mia Wallace.

"Pois tem uma passagem que eu memorizei...que se ajusta bem a essa ocasião. Ezequiel 25:17! O caminho dos justos está cercado por todos os lados pelas iniquidades do egoísta... e pela tirania dos maus. Abençoado seja aquele que em nome da caridade e da boa vontade...conduz o fraco pelo vale da morte. Pois ele é verdadeiramente o guardião e o protetor dos filhos perdidos. E eu tornarei deles grandes vinganças com furiosas repreensões sobre aquele que tentarem envenenar e destruir meus irmãos! E saberão que eu sou o Senhor, e quando tiver exercido a minha vingança contra eles! Jules Winnfield.



De certa forma Tarantino provoca uma confusão organizada, que se você colocar as mesmas cenas em ordem cronológica, não trariam o impacto que as mesmas produzem quando em desorganização. O filme é carregado de muita violência como se depreende do título, mas dentro dessas cenas há o lado cômico dos diálogos e de um certo deboche de alguns personagens. Mas o que esperar de um filme que traz em seu roteiro dois mafiosos, um religioso e o outro um dependente químico inconsequente? Esses dois passam por momentos difíceis, como quando, após matarem um rapaz por acidente, precisam se livrar do carro porém agem de forma totalmente atrapalhada. No decorrer do filme, ainda teremos uma cena de overdose da esposa de um poderoso traficante (Marsellus Wallace), que está acompanhada por um de seus capangas (Vincent Vega). Marsellus Wallace, o poderoso traficante passa um momento bem complicado durante uma caçada a um boxeador chamado Butch (Bruce Willis), que lhe trapaceou em uma luta. O boxeador em questão acabou matando seu adversário durante a referida luta, cujo desfecho estava programado para resultar em sua derrota. Em decorrência da alteração do resultado promovida por inciativa do boxeador, Marsellus Wallace acabou prejudicado financeiramente.


Após trapacear nesta luta já trapaceada, Butch (Bruce Willis) precisa fugir. pois Marsellus (poderoso traficante) quer sua "cabeça". Butch então foi ao encontro da sua namorada chamada Fabienne e a avisou para pegar as coisas dela e o importante relógio (herança de seu pai), para assim fugirem para o mais longe possível. Porém Fabianne esqueceu o maldito relógio, e deixou Butch muito Pu#0, em razão do risco de retornar até o hotel e encontrar alguém. É certo que acabaria encontrando algum inimigo, e logo quem ele encontrou? Marsellus Wallace, o que resultou em uma briga entre os dois, que acabaram parando em uma loja de antiquários. O dono da loja vendo a confusão, acabou apontando uma espingarda para ambos, fazendo-os reféns. Neste momento, o dono da loja chamou seu amigo Zed, um amigo com gostos peculiares. Bom, neste ponto do filme vamos ter uma cena realmente pesada, recomendo ver o filme para entender sobre o que estou falando.

Pensando Pulp Fiction como um todo, poderíamos citar todas as cenas, pois o filme é realmente muito bom e nos faz acreditar que ainda possam existir bons filmes que nos deixem impressionados com sua criatividade e pitada de ousadia. Pulp Fiction é um destes filmes, sem sombra de dúvidas. Faz sentido em sentido algum, mas impacta de forma permanente. Ou como diria Jules Winnfield: "Se as minhas respostas assustarem você, deixe de fazer perguntas assustadoras".

Marcelo Franco




sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Serial Killers Sexuais e Canibais, dominadores da vida e da morte: Ed Gein

 



Edward Theodore Gein que serviu de inspiração para filmes como “Psicose” e “Silêncio dos Inocentes” tem o perfil típico de um serial killer. Gein ele foi espancado na infância por sua mãe que lhe ensinou que sexo era pecado, e viveu uma repressiva e solitária vida na propriedade rural da família. Depois que seus pais e irmãos morreram, Ed continuou morando sozinho em sua casa, sendo perseguido e caçado pelo fantasma de sua mãe. Depois de algum tempo, ele começou a desenvolver um profundo interesse pela anatomia feminina, tendo logo se dedicado a desenterrar corpos de mulheres para mutilá-los e satisfazer suas fantasias relativas à necrofilia e ao canibalismo. Gein levava os corpos para sua casa, dissecava-os e guardava algumas partes como cabeça, órgãos sexuais, fígados, corações e intestinos. Tinha especial fascinação pela genitália feminina, além de um desejo intenso de ser mulher.

Seu desejo por “carne fresca” começou a ficar intenso, e então Gein começou a matar mulheres da idade de sua mãe a pedido dela, que já havia falecido, mas ele a ouvia dizer para matar. A antropofagia, segundo o dicionário “Larousse Cultural” (1999), é o ato ou hábito de comer carne humana. A palavra “antropófago”, que no seu sentido etimológico vem do grego anthropos = homem e phagen = comer, foi sendo substituída através dos tempos por canibalismo, na espécie humana.  Evidentemente, na avaliação do comportamento canibal não podemos considerar o ato humano isoladamente, mas sim, sempre inserido em um determinado contexto. Existem atitudes perfeitamente aceitas em certas culturas e consideradas aberrantes em outras, e a antropofagia é um desses casos; aceita em algumas culturas (e algumas épocas) e até entendida como uma atitude nobre, de vencedores. Encontram-se evidências arqueológicas da prática de canibalismo em algumas comunidades da África, América do Sul e do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Antilhas. Canibais famosos foram os astecas, no México, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes, ao passo que o canibalismo, consistente no ato de consumir parte dos corpos de seus parentes e amigos mortos, é chamado de endocanibalismo. (SAEZ, 2009)

Durante toda a história muitas culturas sancionaram e fizeram rituais do consumo de carne humana, mas o canibalismo em geral foi banido dos dias atuais, considerando que sua prática requer o homicídio ou a profanação de corpos. Houve surtos de canibalismo em massa durante os períodos de grande fome no século XX em países como a Rússia e Alemanha, e na China, as pessoas se sujeitavam a comer os corpos dos mortos para sobreviverem.

Este hábito, que causa repulsa na sociedade atual, concretiza até mesmo uma transgressão do significado de ser humano. Esse comportamento é observado em alguns serial killers famosos, como Jeffrey Dhamer, o “Canibal americano”; Albert Fish, o “Vovô comedor de crianças”; e Andrei Chikatilo, o “Açogueiro Russo”. Este ímpeto incontrolável fez com que em todos eles o instinto animal mais profundo transpusesse a barreira da normalidade a fim de saciar seus desejos proibidos.

Marcelo Franco

domingo, 20 de agosto de 2023

Hannibal Lecter, de Serial Killer a canibal sedutor

 



    Assistir ao filme norte americano “O Silêncio dos Inocentes” consistiu num importante marco em meu crescente interesse sobre o tema “Assassinos em série”.  Com o passar do tempo a curiosidade foi conduzindo a mais pesquisas, leituras e informações e, não à toa,  desde o início de minha graduação em psicologia eu já havia firmado convicção acerca do tema do meu trabalho de conclusão: Serial Killer, Assassino em Série ou Psicopatia. Esse filme me trouxe muitas indagações e questionamentos sobre a natureza humana, tais como: O que poderia motivar seria um indivíduo a cometer crimes bárbaros contra sua própria espécie? Seria possível alguém ter um nível de crueldade tão elevado assim? Até que ponto ou diante de quais circunstâncias o comportamento cruel pode ser considerado patológico e/ou passível de mudança ? Mal sabia eu que isso só seria o início de uma longa pesquisa em minha jornada acadêmica. Mas, retornando ao filme “The silence of the lambs”, pode-se dizer que é realmente um filme muito especial para os fãs da temática psicopatia, é claro, pois traz em seus 118 minutos um enredo repleto de enigmas e referências a histórias reais de assassinos em série.



    Em princípio é um filme com enredo básico, no qual assassinatos acontecem e a polícia tenta capturar um assassino que está matando mulheres e retirando a pele de parte dos corpos das mesmas, fato que deixa os investigadores intrigados. Esse filme é baseado no livro de Thomas Harris publicado em 1988 e senhoras e senhores, em minha opinião, é sim um ótimo filme! Essa junção de terror, suspense e drama, sempre traz muitas fantasias assustadoras para quem assiste, ainda mais aos que sabem que o filme tem conexões com histórias reais, fato que deixa esses telespectadores ainda mais intrigados. Um jogo psicológico se faz presente desde o início até o fim, sem contar as questões relacionadas ao tipo de personalidade de quem comete os crimes, pois se matar alguém já é um ato complicado, se torna mais complicado ainda quando se fazem presentes requintes de crueldade. Um ponto que se destaca no filme é a atuação do ator Anthony Hopkins, que apesar de aparecer em cena por menos de vinte minutos durante todo filme, parece estar  presente em todas as cenas, devido à intensidade da trama e seus aspectos legais e  psicológicos, que seguram o espectador o tempo inteiro atento à “pelicula”.



    Resumidamente, Anthony Hopkins (Dr. Hannibal Lecter) interpreta um psiquiatra que está preso em uma prisão de segurança máxima por ter cometido crimes bárbaros e totalmente impensáveis para qualquer ser humano. Ele está preso por ser um assassino canibal que mata e come suas vítimas, além de servir suas carnes em jantares refinados, oferecidos à alta classe e pessoas com as quais mantinha contato. Nesse contexto bem tranquilo (kkk) uma estagiária que ainda não concluiu o curso para se tornar uma detetive é designada para falar com o canibal e tentar fazer com que ele ajude a polícia local a capturar um assassino que está cometendo crimes que estão deixando a sociedade em pânico. A competente estagiária em questão chama-se Clarice Starling e é interpretada por Jodie Foster, que também atua de forma sensacional neste filme. No desenrolar da trama o plano acaba encontrando adversidades maiores que as esperadas, pois como todo “bom” psicopata, o canibal Hannibal Lecter também manipulava suas vítimas, e não foi diferente com Clarice, a quem ele resolve fazer uma série de exigências pessoais para seguir colaborando na resolução do caso.



    Transpondo a arte para a ciência, ao relacionarmos o filme com a teoria existente acerca do assunto, é possível identificarmos Dr. Hannibal Lecter como portador de Transtorno Antissocial, mais conhecido socialmente como Psicopatia. Trata-se de um comportamento que tem por base transgredir as regras sociais e o indivíduo que apresenta esse tipo de transtorno não tem empatia por ninguém, e quando falo ninguém, é ninguém mesmo. É um tipo de conduta que não é passível de mudança, pois não há cura e nem controle, sendo o único manejo possível o isolamento social deste indivíduo. Sempre que refiro acerca do tema, lembro uma espetacular professora que tive na faculdade e que estudava esse tipo de comportamento. Ela me ensinou muito sobre o assunto e repetia  sempre que a única forma de se controlar os psicopatas é ficando longe deles. Porém, infelizmente esse tipo de indivíduo caminha por aí sem diagnóstico ou mesmo identificação dizendo “SOU UM PERIGO”. O psicopata procura sempre três condições básicas para ele: poder, status e prazer. Além disso, é possível também afirmar, com base na literatura e estudo científico desenvolvido, que a mente humana não tem fronteiras, que um psicopata já nasce com esse comportamento e que o transtorno em questão não escolhe raça, altura, peso, gênero ou qualquer outro tipo de característica humana.

   No filme podemos verificar também o nível de crueldade com que esse tipo de indivíduo é capaz de agir através das ações e falas do Dr. Hannibal Lecter, um canibal frio e calculista. Uma curiosidade do enredo que intriga os mais estudiosos do tema é a exata motivação que leva o canibal a oferecer ajuda para capturar um outro psicopata. Mas registre-se que o fato retratado nas telas não passa de mais uma referência concreta aos menos desentendidos, pois na vida real isso já aconteceu quando o famoso serial killer Ted Bundy auxiliou o FBI a desvendar o caso do “Assassino de Green River”.



 O silêncio dos inocentes é um filme que recebeu muitos prêmios importantes, dentre eles: melhor filme, melhor diretor (Demme), melhor ator (Hopkins), melhor atriz (Foster) e melhor roteiro adaptado. Em resumo, uma ótima produção para se assistir. The Silence of the Lambs não se trata de mais um daqueles filmes carregados de clichês e cenas de suspense chatas e óbvias, acerca das quais já sabemos o desfecho e sequência, ele é direto, como uma patrola desgovernada descendo uma ladeira. E o melhor de tudo é que, após esse filme, se sucedeu uma sequência de três outros filmes relacionados à mesma trama, agregando novos personagens, mas sempre mantendo o canibal Dr. Hannibal Lecter como centro ou origem das histórias. Portanto, para quem ainda não assistiu “O silêncio dos inocentes” a sugestão é para que não perca tempo e vá logo até uma locadora alugar este belo filme de terror (ou procure em algum canal pago de televisão para assistir). 

Marcelo Franco

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Banda Sepultura: Relatos de um admirador

  


   


Desde muito cedo sempre tive a inclinação musical para o som pesado, para não dizer  barulhento. Os trabalhos, registrados tanto em discos de vinil quanto em fitas cassete, de bandas como Metallica, Slayer, Ratos de Porão, Replicantes, Dorsal Atlântica, Korzus, Vulcano, D.R.I., Dead Kennedys, The Exploited e, claro, Sepultura, eram visitas mais que assíduas em meu aparelho de som. Pelo que lembro, a partir dos meus 12 anos eu conheci e passei a acompanhar “bem de perto” os estilos Hard Core e Metal, já escutando música como uma forma de lazer. Logo após, enquanto a maioria das pessoas conheceu e passou a difundir ainda mais o “pagode” e “axé”, estilos que fizeram muito sucesso na época, eu seguia buscando sempre as músicas com guitarras distorcidas.

Hoje escolhi registrar e compartilhar um pouco sobre uma banda que acompanho desde o início da carreira, além de ter quatro LP’s do grupo, tenho alguns CD’s também. “Ladies and gentlemen”, me refiro ao Sepultura, maior grupo de metal brasileiro, que com uma carreira internacional consagrada conseguiu quebrar as barreiras do preconceito social contra o som pesado que existe em terras brasilis. O Sepultura é uma banda de Heavy Metal formada pelos irmãos Max (guitarra e vocais) e Igor Cavalera (bateria) em Belo Horizonte. Além dos irmãos, a banda iniciou com Paulo Jr. (Baixo) e Wagner Lamounier (segunda guitarra).  A banda surgiu com uma pegada bem pesada e partiu realizando ensaios e shows em início de carreira como qualquer outra banda underground. Mas como em toda banda de rock, os desentendimentos sempre acontecem e a formação sofre alterações. No caso do Sepultura, o primeiro a deixar o grupo foi o guitarrista Wagner, que forma outra banda importante no cenário nacional da época, o “Sarcófago”. Em seu lugar entrou Jairo Guedes e a banda dá uma certa “embalada”, iniciando uma carreira de sucesso. O Sepultura usa de todos os meios de mídia da época para divulgar o som da banda, indo de fanzines a rádios locais. Mas um show em especial deu início ao sucesso dos meninos metaleiros: em 1985 acontece um festival de metal em BH e o dono da gravadora Cogumelo Records, que viu o Sepultura ao vivo e gostou da sonoridade dos meninos, acaba contratando o grupo.



No final deste mesmo ano sai o EP “Bestial Devastation” (infelizmente não adquiri este álbum na época), um álbum que foi gravado em apenas dois dias e que é um trabalho dividido com outra banda de metal, a “Overdose”. Infelizmente foi um disco com qualidade baixa, mas já foi o suficiente para  chamar a atenção do público do metal. Em 1986,  lançaram o segundo LP, o clássico “Morbid Vision” (esse sim, esse eu TEEEENHO). Considero este disco uma obra que retrata com aprimoramento o som da banda, bem pesado e já trazendo o primeiro hit, “Troops of Doom” - uma música que é tocada até hoje nos shows dos caras. Mas, como é comum, a banda tem mais uma baixa, e mais uma vez o Sepultura perde o guitarrista solo, Jairo Guedes, que deixou a banda em 1987. Em seu lugar entrou Andreas Kisser, e neste mesmo ano eles gravaram “Schizophrenia” (também tenho esse baita LP), o verdadeiro marco divisório na carreira da banda. Este LP é fruto do amadurecimento musical dos garotos do Brasil. O disco foi muito requisitado na América Latina e Europa, onde recebeu elogios da crítica gringa. Em meio a toda empolgação e o crescimento do sucesso internacional da banda, uma situação inusitada aconteceu e ajudou o Sepultura de certa forma: uma gravadora européia pirateou o álbum “Schizophrenia”, vendeu mais de 30 mil cópias e, mesmo sem receber um “tostão” pelas vendas, a banda ganhou uma forte divulgação, que despertou a atenção da conhecida gravadora “Roadrunner Records”, que resolveu contratá-los por um período de sete anos e lança o LP internacionalmente.



A banda finalmente recebeu a chance de mostrar o seu trabalho lá fora e saiu em turnê junto com a banda (também de metal) “Sodom”, mas essa turnê foi nada tranquila, pois, segundo os integrantes do Sepultura, os caras da banda Sodom eram chatos pra C@r@lh0!!!! A partir daí o reconhecimento do grupo só aumentou e a banda cresceu musicalmente, tanto no cenário nacional como internacional.



Bem, até agora falei mais da carreira da banda e não coloquei minhas experiências com o Sepultura, mas como escrevi lá no início, sou um apaixonado por música pesada e o Sepultura faz parte de minhas paixões musicais. É engraçado, pois assim como aconteceu comigo em relação a outras bandas de som pesado, com o Sepultura se repetiu a cena: num belo final da tarde, após sair da escola, fui dar uma olhada nas novidades musicais da loja de discos “Prisma discos” (já é a terceira vez que falo da loja no meu blog, vou pedir patrocínio kkk). Na parte dos discos de metal encontrei aquela capa “tinhosa” com o nome SEPULTURA, uma capa que eu sabia que se comprasse o LP ia causar problema em casa. E não à toa, pois na capa há o desenho de três pessoas crucificadas e um demônio olhando com cara de paisagem, algo incomum para a  época (fim dos anos 80). Mas pensei: “vou comprar e entrar em casa de costas para ninguém notar”, o plano estava perfeito, daria tudo certo. Mas esqueci que naquele dia meu pai ia me buscar na escola. Comprei o álbum e voltei para escola, pois havia combinado com meu pai de me buscar lá em frente, ele chegou e entrei no carro, jogando a mochila no banco de trás com todo cuidado, imaginando que meu querido pai não veria a maldita capa (aliás, sempre pensei: por que os caras fazem um som tão legal e precisam fazer essa capas com demônios, cruzes e esqueletos? PQP). Infelizmente deu tudo errado, pois meu pai viu e perguntou, “que disco é esse?” E respondi que era de um amigo, mas ele pediu para ver. Não preciso dizer que meu pai “adorou” a capa e até disse, sic “nossa meu filho, que capa supimpa!!!” Me lembro que foi bem isso que ele disse hahahahaha. Mas seguindo… Sempre fui fã do Sepultura, comprei quatro álbuns em sequência na época, apenas deixei de comprar o EP “Bestial Devastation” por questões da época, mas sempre gastei muito em discos e livros. Lembro, hoje arrependido, que decidi não comprar este álbum para comprar outros LP’s (que acabei nem comprando kkkk). Hoje o álbum original “Bestial Devastation” é uma raridade, sendo encontrado com alguma facilidade apenas na formatação atual (regravação dos irmãos Cavalera), gravada em discos de vinil de 180 gramas e com o valor bem “salgado”.

Consegui curtir dois shows do Sepultura, com as formações que mais gosto (não que hoje eu não goste da formação atual, mas a formação com os irmãos Cavalera é muito mais “afudê”). O primeiro show do Sepultura que tive o prazer de assistir foi a muitos anos atrás (não sou um Matusalém, mas já faz um tempinho kkk), no Ginásio Geraldo Santana e não lembro exatamente o ano. Recordo que  foi um show promovido pela Kátia Suman, que na época era locutora da extinta rádio Ipanema FM. Já o segundo espetáculo que assisti foi em 09/11/1994, um baita show que reuniu nada mais nada menos que as bandas Raimundos, Sepultura e Ramones no Ginásio Gigantinho em Porto Alegre, por sinal neste show eu fui acompanhado de minha esposa Patrícia, namorada na época. Simplesmente foi uma pedrada atrás da outra, onde cada banda tocou em torno de uma hora e pouco, momento especial para um fã de música pesada. Apesar de não termos certeza à época, tínhamos a impressão de que um show assim nunca mais iria acontecer, dada a dificuldade de reunir as bandas, seja por brigas ou pelo estilo de vida de alguns integrantes, que logo já não estavam mais entre nós, confirmando a impressão que tivemos no épico momento.



Bem, retornando à carreira do Sepultura, ou falando sobre a fase que mais gosto, ainda tem dois álbuns que não comentei,  “Beneath the Remains” e “Arise”. O primeiro marcou o auge da banda, o momento em que eles realmente estouraram. Lembro que só se escutava falar no Sepultura e acabou acontecendo algo que particularmente não gosto: a banda virou “moda” e se via muitas pessoas que acompanhavam apenas o que estava em evidência dizerem que gostavam de algo, todavia sem nem saber a origem e história do grupo. Se escutava, por exemplo, que o Sepultura era uma banda gringa, apenas porque as  letras de suas músicas são em inglês. Simples assim, mas isso é outro assunto, me lembra Friedrich Nietzsche, que fala sobre o “gado”.

Beneath the Remains foi um LP muito bom, você escuta da primeira música até a última sem passar nenhuma faixa para frente (no meu caso levantar o braço do toca discos e passar para próxima faixa). É um disco pesado e muito bem trabalhado musicalmente, produzido por um selo gringo, que acaba tornando mais fácil para os músicos fazerem um álbum de ótima qualidade. Tempos atrás escutei a banda dizendo que o álbum ficou com o som do contra-baixo muito baixo e queriam ajustar a gravação, confesso que não sei como ficou essa questão, mas para o Marcelo Fã, o álbum ficou perfeito. Em seguida veio o disco “Arise”, que foi lançado em duas versões, uma edição limitada para fãs e outra não menos especial com uma música a mais, no meu caso tenho a versão especial, que tem a capa diferente trazendo a frase “gravação limitada para o Rock in Rio” (festival que foi um marco na música, principalmente para o Brasil). Infelizmente, como já disse, eu sempre tinha uma lista de LP's enorme para comprar, e acabei por não comprar a outra edição, que por sinal, vinha com a bela cover de Orgasmatron, música da banda Motörhead.



Ladies e Gentlemen, notei que nunca havia escrito um texto tão extenso, mas é sobre uma banda que sou apaixonado, o que acaba tornando a produção prazerosa por fazer lembrar os momentos especiais que o Sepultura me proporcionou. Seguindo na carreira da banda, ainda foram gravados os álbuns “Chaos A. D.”  (1993) e “Roots”  (1996), com a principal formação da banda (que trazia os vocais do Max Cavalera), que ao meu ver tem outra sonoridade e traz um diferencial para o Sepultura. A banda teve muitas tretas, mas isso é algo que deve ser resolvido nas internas da banda, já diria um sábio: “Se você quer manter um ídolo em seu devido lugar, não o conheça pessoalmente” e acrescento: no máximo peça um autógrafo ou uma foto com ele. E viva o som pesado para quem gosta, pois se você é de outra linha musical, está no lugar errado kkkkk.

Marcelo Franco

OBS: LP's de arquivo pessoal.

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